9 de setembro de 2007

McCannTV

Sobre o caso propriamente dito, pouco tenho a comentar, até porque não acompanho em detalhe. Choca-me o desaparecimento de uma criança de 3 anos.

Choca-me também que quem tem mais dinheiro não possa ser suspeito; choca-me que quando uma criança humilde desaparece os pais nem sejam autorizados pelo padre a acompanhar a procissão do Senhor dos Aflitos (caso do Rui Pedro de Lousada), enquanto que quando desaparece uma criança rica os pais consigam ir falar com o Papa. Choca-me que o caso do Rui Pedro tenha tido direito a mais minutos de televisão agora, por arrasto, do que quando desapareceu. Choca-me pagar, com os meus impostos, o trabalho durante meses de uma polícia de investigação que procura uma filha de um casal abastado que não soube contratar uma babby sitter para tomar conta dos três miúdos, quando em outros casos o esforço parece inexistente, ou quase.

Dizia alguém que isto (deixar filhos de 2-3 anos sozinhos em casa num país estrangeiro, para ir jantar fora com os amigos, é uma questão cultural. Admiti que fosse verdade.

Dizem-me por outro lado os noticiários em Portugal que a imagem que passa lá fora (Inglaterra?) é a de pais que estão a ser usados como bodes espiatórios por uma polícia que não é eficaz. Admiti que fosse verdade, ainda que eu não dê grande credibilidade aos nossos noticiários, sobretudo quando exprimem opiniões subjectivas em vez de factos objectivos.

Fui por acaso ao site da MSNBC e não só as notícias não beliscam em nada o trabalho da nossa PJ como, nos comentários, tudo parece estar revoltado contra a atitude dos McCann ("no mínimo, deviam ser acusados de negligência").

3 de setembro de 2007

As tangas do Ricardo (45)

Regressados das férias, estava a ver com o Ricardo uns desenhos animados em que aparecia uma baleia.
"Pai, a baleia é má?"
"Não, não é má." Deite-me no chão e disse: "Eu sou uma baleiaaaaa..."
"Ó baleia, tu és má?"
"Não sou má, mas estou triste."

PONTAPÉ NA CARA DA BALEIA!!!

"E agora, baleia, já estás contente?"

30 de agosto de 2007

Putin em tronco nú

Já dizia o outro: Glasnost (transparência). Acho é que toda esta transparência deve atrair muito bicho (e muito bicha). Acho também que se ele quer mostrar que é um homem a sério, basta-lhe ir passar umas férias à Chechénia, sem guarda-costas.

Mais um filme a NÃO ver

A apresentação diz que Georgia rule é um filme divertido sobre o "Generation gap" entre avó, mãe e filha. Não é. É um filme sobre uma rapariga que foi abusada pelo padrasto, entre os 14 e os 16 anos. E não é divertido; é uma seca. Todas as partes divertidas do filme são mostradas na apresentação, em dois minutos.

Duas horas de filme, em que se discute se a rapariga fez a acusação porque é mentirosa ou se foi mesmo abusada. E se quando desmente que tenha sido está agora a repor a verdade quanto a uma mentira brutal ou apenas a tentar que a mãe continue, feliz, com o padrasto que abusou dela.

Durante quase todo o filme a rapariga exibe umas saias que mostram tudo até os pêlos do pito, digo, do peito. Aos 14 não se é homem nem mulher; é-se criança. Já aos 25 ou 30, certas roupitas são um convite (porventura serão até uma ordem).

24 de agosto de 2007

Salga[nha]da

No fim das férias da Páscoa, a caminho de Lisboa, parámos numa estação de serviço da A1 para descansar e comer uma bucha.
[Normalmente não ligo nada a essas coisas, porque sou um homem sério, mas nesse dia] Apercebi-me da entrada de duas mulheres vistosas, que atravessaram a sala e foram para a esplanada, que estava vazia.
"Eu conheço esta cara", pensei. Ah, já sei quem é.
Peguei em papel e caneta, e fui ter com elas. Não para pedir o telefone (ver nota entre parêntesis rectos), mas para pedir um autógrafo. Mais bem pensado, e tinha pedido para ser endereçado aos leitores do Abéculas.

Simpática, sorridente e prestável, deu-me um autógrafo. E dois beijinhos. "Não dás também dois beijinhos à minha irmã gémea?" Dois segundos depois de ter descoberto que a rapariga tinha uma irmã, aí estava eu a fazer o protocolar cumprimento.

Ora uma rapariga que foi simpática comigo não merece o comentário, mas por outro lado depois do que se disse dela não é este que faz diferença. Nesse dia, quebrou-se um mito: afinal as putas também dão beijinhos!

Cinema 2007

Esta semana, aproveitando a ausência das crianças, fui duas vezes ao cinema. Tão cedo, acho que não volto. As reclamações são várias:

- Os filmes que fui ver: "A face oculta de Mr. Brooks" é melhor que "Paranóia", mas ambos são fraquinhos e algo parvinhos. A escolha dos filmes resulta sempre de um compromisso; estou certo que me teria divertido mais a ver "Die Hard 4" ou "Os Simpsons" (que não estava em exibição nas Amoreiras).

- No primeiro dia pagámos umas taxas de 50 centimos por bilhete por termos lugar VIP. "Quase todos os lugares da sala são VIP, portanto, na prática esta taxa acaba por ser obrigatória", explicou a senhora que vendeu os bilhetes.

- Em ambas as sessões tive que gramar com publicidade qb, incluindo o anúncio do MEO (o pior anúncio que vi nos últimos 2-3 anos), que de ambas as vezes me fez gumitar para o balde de pipocas do vizinho.

- Ontem fiquei sentado ao lado de uma vaca. Não, não dessas. Das outras; das ruminantes. O bife que estava ao meu lado regurgitava e ruminava pipocas como se não houvesse amanhã, fazendo tanto barulho que até as pessoas da sala ao lado estavam incomodadas.

- Pelos vistos, o objectivo hoje em dia do cinema é fazer as pessoas saltarem da cadeira. Como os argumentos são fraquinhos, e o suspense está ao nível do Hitchcock quando usava fraldas, o truque é de repente aumentar o som para o triplo do volume. O equivalente digital a gritar ao ouvido de alguém. Chama-se poluição sonora.

10 de agosto de 2007

Um dia de surf

Nos Açores, fomos ver o filme "Um dia de surf".
O filme é excelente. Recomendo vivamente aos miúdos, mas também aos graúdos. Acho impossível não soltar pelo menos uma sonora gargalhada com o frango.
De início o Ricardo não queria entrar, assustado com o "barulho" (o som estava manifestamente muito alto). Lá o convenci a entrar aos poucos. Entrou, viu e gostou. A Carolina, essa, esteve pregada à cadeira o tempo todo.

As tangas do Ricardo (44), Carolina ao vivo (7)

Partimos para os Açores na 6a feira passada. Colossal confusão no novo terminal da TAP. Nunca tinha visto um granel assim. Estive quase uma hora numa fila que praticamente não andava, enquando a do lado ia avançando. Saí do meio da fila para me colocar no fim da outra. Boa aposta, excepto que quando estava para ser atentido duas famílias resolveram que me queriam passar à frente, porque o voo deles tinha sido cancelado e lhes tinham dito que tinham prioridade para o voo seguinte. Um granel.
Com atraso considerável, embarcámos. O que fez o Ricardo, esse mestre do inesperado, durante a descolagem do avião para os Açores? O avião começa a rolar pela pista... olho para o Ricardo e... paf! Adormeceu! Desconfio que teria dormido de forma ininterrupta até à chegada mas, como o capitão nos autorizou a ir espreitar o cockpit, acordei-o para ir também. Desafiado a contar os botões dentro do cockpit, o Ricardo não se deixou intimidar. Apontando de forma errática para tudo e mais alguma coisa, contou: 1, 2, 3, 4, 5, 6. Seis botões.
A Carolina portou-se lindamente, e delirou com a aproximação aos Açores, que viu pela janela: a descida abaixo das nuvens, as casas pequeninas, o mar.

Carolina ao vivo (6)

"Tia [psicóloga] tu és... como é que se diz...
Pepsi Cola ?"

Como dar uma abada de 3-0 a uma espécie endémica dos Açores?


É procurar a cucaracha e dar-lhes c'o chinelo ou c'a vassoura na cabeça, até elas pararem de correr...

(o pé está ao lado só para dar uma noção da dimensão do animal!)