Fez ontem 60 anos. "Estás atrasado um dia, dir-me-ão".E eu digo que não. No caso das pessoas de quem gostamos, devemos comemorar os dias e não os anos.
Parabéns, Vurácio, pelos teus 60 anos e um dia. Que contes muitos.
Tive uma professora de Inglês no 10º ano que dizia que amor e ódio são sentimentos muito parecidos. Na altura, a coisa pareceu-me totalmente descabida. "Amor e ódio? Mas são o oposto um do outro!" Neste aspecto como em muitos outros, a vida tratou de me dar umas lições de humildade.
Por uma razão que eu desconheço, é politicamente correcto ser condescendente em relação à atitude de Scolari no fim do jogo. Há até, pasme-se, quem encontre qualidades naquela manifestação.
Relativamente à murraça que Scolari deu a um jogador Sérvio, os jogadores convocados emitiram um comunicado a divulgar o seu apoio incondicional ao Mister, "um hino à liderança, ao respeito e ao humanismo". Estão unidos. O que os une é a falta de profissionalismo e de fair play.
Ao dar um murro a um defesa da equipa adversária, após o jogo, Scolari mostrou hoje ser um verdadeiro português, no que ao futebol diz respeito. E ficou evidente que está na hora de partir. Já. De resto o momento é bom, porque há actualmente duas excelentes hipóteses para o substituir.
Podemos contratar o Dalai Lama para treinador. Será mais contido que Scolari. Era uma hipótese de apoiar o Tibete. Já que não há coragem política, que haja coragem desportiva. É quase certo que não iríamos ganhar coisa nenhuma mas, assim como assim, é pouco provável que ganhemos alguma coisa com outro treinador qualquer. Como represália, pode ser que a China retire todas as lojas de chineses de Portugal, essa praga dos tempos modernos.
Os nossos habituais amigos do PS, como José Sócrates, normalmente muito preocupados com as violações de direitos humanos em Guantanamo resolvem, na senda da coragem política demonstrada por Jorge Sampaio logo após o massacre da praça de Tiananmen (onde terão morrido mais pessoas do que nos atentados do 11 de Setembro), ou da relação fraternal de Mário Soares com o (agora ex-)terrorista Yassir Arafat, que é boa ideia não receber o Dalai Lama com honras de Estado. "Dai-lhe lama".
Os chineses não iam gostar. Afinal de contas, ele não é só um líder religioso; é também um líder político; o chefe de estado do Tibete, esse país que tanto mal tem causado à República Democrática da China. O Tibete, claro, é muito diferente de um outro território ocupado durante vários anos, chamado Timor, e pelo qual o PS tanto (e bem) se bateu. É que no Tibete não vivem timorenses. E o Tibete não tem relações históricas com Portugal. Por outro lado, a China comunista é nossa amiga e, dizem, até está a tentar tornar-se numa democracia. Já a Indonésia (mais próxima dos EUA), essa sim, era má.
"Governo distribuiu cerca de dois mil portáteis a professores e alunos". O título, no Sapo, fez-me ir ver a notícia.