Ouvi na rádio e fiquei a pensar sobre o que devia pensar: Richard Branson doa 200 mil dólares para apoiar os pais de Madeleine McCann. Tinha também doado 200 mil dólares para o fundo para procurar a menina.
À primeira "vista", soou-me mal; afinal a única e inequívoca vítima, até agora, é a menina. Os pais presume-se que são inocentes; a menina sabe-se que é inocente.
Pensando melhor, achei que havia algo a admirar no acto. Se os pais estão inocentes -e presumivelmente estarão - então devem sentir que o planeta desabou sobre as suas cabeças quando a menina desapareceu, e de novo (noutra medida) com a suspeição que sobre eles se levanta).
Os McCann foram catalizadores de um circo mediático que, faltando combustível, os queima agora a eles. Bom, mas estando inocentes, fizeram o que quaisquer pais gostariam de conseguir fazer. Vamos julgá-los por isso?
Depois, vi a notícia na Internet, com mais pormenor. O dinheiro vai ser usado para pagar a defesa e as relações públicas da família. Ah... lá se foi a minha compreensão outra vez...
17 de setembro de 2007
Parabéns ao Vurácio
Amor e ódio
Tive uma professora de Inglês no 10º ano que dizia que amor e ódio são sentimentos muito parecidos. Na altura, a coisa pareceu-me totalmente descabida. "Amor e ódio? Mas são o oposto um do outro!" Neste aspecto como em muitos outros, a vida tratou de me dar umas lições de humildade.Quando gostamos de uma pessoa interessamo-nos por saber do que é que ela gosta e não gosta; pensamos muito tempo a pensar nela; agimos em função dessa pessoa; colocamo-la no centro do nosso mundo. É uma relação de grande intensidade; cria-se uma relação de dependência. Quando odiamos uma pessoa, notem, é exactamente o mesmo que se passa (ainda que as intenções sejam evidentemente diferentes). "Tornamo-nos escravos das pessoas que amamos, mas também das pessoas que odiamos", dizia essa professora.
Odiar uma pessoa é, pois, colocá-la num pedestal. O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença.
16 de setembro de 2007
Read my lips: Cavaco ainda vai condecorar Scolari...
Por uma razão que eu desconheço, é politicamente correcto ser condescendente em relação à atitude de Scolari no fim do jogo. Há até, pasme-se, quem encontre qualidades naquela manifestação.Scolari deu um murro num jogador da equipa contrária. Se não acertou, como disse, foi porque falhou, o que não o desculpa. Podia ao menos ter emendado a mão (expressão curiosa para usar neste caso), tendo pedido desculpas imediatamente após o jogo. Não o fez; optou por tentar explicar o inexplicável.
"Ah, mas é que ele fez muito pelo país e pela selecção." Concordo, mas uma vez mais isso não o desculpa, nem tão pouco relativiza o acto. Carlos Cruz, parece (parece!), não justificou (alegados) actos de pedofilia na base de "eu prestei grandes serviços ao país, logo, posso bem abusar de uns putos". O que ele diz é que não praticou os actos.
Cavaco, esse, ultimamente não me surpreende. Uma no cravo, outra na ferradura. Condenou o acto em si, para logo de seguida o relativizar "diz-me que no campo as coisas são mais emotivas, que é diferente, e isso de facto eu não sei, porque vejo os jogos no sofá". Ora isto é idiota mas, tristemente, vindo do Rei do Politicamente Correcto, já não surpreende. Estou mesmo em crer que Cavaco é pessoa para lhe atribuir uma qualquer Grã Cruz.
Qual é a autoridade que Scolari tem, hoje, para condenar atitudes violentas dos jogadores?
Os jogadores e o treinador são, que eu saiba, dos profissionais mais bem pagos do país. O que Scolari fez (a atitude e as declarações posteriores) foram indignas de um profissional, logo, rua com ele.
13 de setembro de 2007
Bando de bandalhos
Relativamente à murraça que Scolari deu a um jogador Sérvio, os jogadores convocados emitiram um comunicado a divulgar o seu apoio incondicional ao Mister, "um hino à liderança, ao respeito e ao humanismo". Estão unidos. O que os une é a falta de profissionalismo e de fair play."Mas, e a emoção do futebol? E a pressão? E a emoção?" dizem-me vocês.
Caguei. São jogadores e treinadores profissionais, que ganham mais num ano do que eu ganharei a vida toda. Sucede que eu não dou murros a concorrentes, a clientes, a colegas, a patrões. Se Scolari entrasse na CGD, ou na TMN, e levasse um murro de um empregado mal pago por causa de um qualquer mal entendido, o homem era despedido ou não? O que é que dá a Scolari mais direitos? Não percebo.

Entretanto, um breve comunicado emitido por Sá Pinto, João Pinto, Fernando Couto e ainda Eric Cantona, diz simplesmente:
"Scolari, a dar murros, pareces uma menina!"
E depois de Scolari?
Ao dar um murro a um defesa da equipa adversária, após o jogo, Scolari mostrou hoje ser um verdadeiro português, no que ao futebol diz respeito. E ficou evidente que está na hora de partir. Já. De resto o momento é bom, porque há actualmente duas excelentes hipóteses para o substituir.
Podemos contratar o Dalai Lama para treinador. Será mais contido que Scolari. Era uma hipótese de apoiar o Tibete. Já que não há coragem política, que haja coragem desportiva. É quase certo que não iríamos ganhar coisa nenhuma mas, assim como assim, é pouco provável que ganhemos alguma coisa com outro treinador qualquer. Como represália, pode ser que a China retire todas as lojas de chineses de Portugal, essa praga dos tempos modernos.Outra hipótese seria contratar a mãe da pequena Madeleine McCann. Quem consegue conter as emoções como ela (tenha a filha sido raptada ou tenha morrido por acidente, às mãos dos pais) parece-me que não teria dificuldades em controlar-se com um golo adversário, injusto que fosse.
Dalai Lama? Dai-lhe lama!
O Dalai Lama veio de novo em visita a Portugal.
Os nossos habituais amigos do PS, como José Sócrates, normalmente muito preocupados com as violações de direitos humanos em Guantanamo resolvem, na senda da coragem política demonstrada por Jorge Sampaio logo após o massacre da praça de Tiananmen (onde terão morrido mais pessoas do que nos atentados do 11 de Setembro), ou da relação fraternal de Mário Soares com o (agora ex-)terrorista Yassir Arafat, que é boa ideia não receber o Dalai Lama com honras de Estado. "Dai-lhe lama".
A pior coisa de que podem acusar o Dalai Lama é de proferir uma série de frases profundíssimas que inevitavelmente nos vão parar, volta e meia, à Inbox. Apesar de tudo, antes isso que Rolex, Viagra ou refinanciamento da dívida (outros temas recorrentes). Não me parece que em algum momento ele passe por terrorista, por assassino, por criminoso. É um instigador de massas, talvez, na linha desse famoso criminoso indiano - Mahatma Ghandi.
Os chineses não iam gostar. Afinal de contas, ele não é só um líder religioso; é também um líder político; o chefe de estado do Tibete, esse país que tanto mal tem causado à República Democrática da China. O Tibete, claro, é muito diferente de um outro território ocupado durante vários anos, chamado Timor, e pelo qual o PS tanto (e bem) se bateu. É que no Tibete não vivem timorenses. E o Tibete não tem relações históricas com Portugal. Por outro lado, a China comunista é nossa amiga e, dizem, até está a tentar tornar-se numa democracia. Já a Indonésia (mais próxima dos EUA), essa sim, era má.
A tão (auto-)apregoada coragem de Sócrates verifica-se face à Associação Nacional de Farmácias. Face aos nossos professores. Aos nossos polícias. Aos nossos médicos. Quando no entanto se fala da China, o caso muda de figura. Há que prestar vassalagem.
Os nossos ideiais são importantes, claro, mas não exageremos. Eles são chineses, e ainda iam ficar ofendidos.
Os nossos habituais amigos do PS, como José Sócrates, normalmente muito preocupados com as violações de direitos humanos em Guantanamo resolvem, na senda da coragem política demonstrada por Jorge Sampaio logo após o massacre da praça de Tiananmen (onde terão morrido mais pessoas do que nos atentados do 11 de Setembro), ou da relação fraternal de Mário Soares com o (agora ex-)terrorista Yassir Arafat, que é boa ideia não receber o Dalai Lama com honras de Estado. "Dai-lhe lama".A pior coisa de que podem acusar o Dalai Lama é de proferir uma série de frases profundíssimas que inevitavelmente nos vão parar, volta e meia, à Inbox. Apesar de tudo, antes isso que Rolex, Viagra ou refinanciamento da dívida (outros temas recorrentes). Não me parece que em algum momento ele passe por terrorista, por assassino, por criminoso. É um instigador de massas, talvez, na linha desse famoso criminoso indiano - Mahatma Ghandi.
Os chineses não iam gostar. Afinal de contas, ele não é só um líder religioso; é também um líder político; o chefe de estado do Tibete, esse país que tanto mal tem causado à República Democrática da China. O Tibete, claro, é muito diferente de um outro território ocupado durante vários anos, chamado Timor, e pelo qual o PS tanto (e bem) se bateu. É que no Tibete não vivem timorenses. E o Tibete não tem relações históricas com Portugal. Por outro lado, a China comunista é nossa amiga e, dizem, até está a tentar tornar-se numa democracia. Já a Indonésia (mais próxima dos EUA), essa sim, era má.A tão (auto-)apregoada coragem de Sócrates verifica-se face à Associação Nacional de Farmácias. Face aos nossos professores. Aos nossos polícias. Aos nossos médicos. Quando no entanto se fala da China, o caso muda de figura. Há que prestar vassalagem.
Os nossos ideiais são importantes, claro, mas não exageremos. Eles são chineses, e ainda iam ficar ofendidos.
12 de setembro de 2007
Início do ano lectivo assinalado com espectáculo folclórico
"Governo distribuiu cerca de dois mil portáteis a professores e alunos". O título, no Sapo, fez-me ir ver a notícia.Descubro sem espanto que José Sócrates, primeiro-ministro, se juntou a Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da educação, no assinalar do ano lectivo, distribuindo computadores portáteis à sua direita e à sua esquerda.
Descubro, com grande espanto (sou mesmo ingénuo), que a eles se juntaram 13 secretários de estado e, pasme-se, seis outros ministros, a saber: Defesa, Justiça, Obras Públicas, Administração Interna, Economia e Assuntos Parlamentares.
Para quem acusa José Sócrates e os seus ministros de seguirem políticas de direita, fica claro que a herança da esquerda lá está, na pouco democrática arrogância que todos lhe(s) apontam e na fantástica máquina de propaganda.
P.S.: A foto foi tirada de um post do blog WeHaveKaosInTheGarden.blogspot.com.
11 de setembro de 2007
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