Não me parace uma questão especialmente importante, mas não há dúvida de que vai dar que falar.
A lei anti-tabaco entrou em vigor hoje, mas sendo estabelecido que o Primeiro de Janeiro seria um dia de tolerância. A lei entrou em vigor, mas à portuguesa. Estou também curioso em ver qual vai ser a celeridade da polícia a acorrer a estas situações, quando chamada.
Quanto à lei propriamente dita, tenho mixed feelings. Desconfio, por princípio, da capacidade do Estado de zelar pelos meus interesses. O melhor Estado, dizia alguém, é um Estado que não se vê, não se sente, e não se paga. Este não é o Estado que temos, e não me parece que estejam a ser dados passos relevantes nesse sentido.
A vantagem da lei é transferir, de algum modo, o poder do lado de quem fuma para o lado de quem fuma. É evidente que é pouco aceitável o cenário de ter alguém a deitar-me fumo para cima e a responder que "quem está mal, muda-se", mas igualmente extremista é ver qualquer cigarro como uma arma de crime, e qualquer fumador como um criminoso. Não me incomoda um cigarro fumado na outra ponta do café, ou um cigarro fumado (porventura até ao meu lado) num restaurante cuja extracção de ar funcione bem.
Talvez o que mais me incomoda seja ver quem reivindica o direito de fumar (hoje ouvi na televisão um fumador a dizer que "Se eu me quiser suicidar, o Estado não tem nada a ver com isso") achar-se mais tarde no direito de reivindicar, desse mesmo Estado, o direito a ver o seu cancro no pulmão tratado de borla.
Aqui fica, como serviço público, o mapa dos locais onde se pode fumar.
1 de janeiro de 2008
31 de dezembro de 2007
Independência para pensar
Não gosto de Pacheco Pereira em muito do que ele diz mas, usando uma frase que se tornou num lugar-comum, agrada-me o facto de ele o poder dizer. O mesmo poderia dizer sobre Marcelo Rebelo de Sousa. Ou sobre Pedro Santana Lopes, quando era comentador.
No PS, é muito mais difícil encontrar este afastamento em relação ao que é o poder instalado no partido. Infelizmente, isso torna os programas ou debates em que entram membros do PS em máquinas de propaganda política, e não de propagação de ideias. Vejam-se os casos de António Vitorino, Jorge Coelho, José Magalhães ou da sempre patética Edite Estrela. Há, evidentemente, os dissidentes (como Manuel Alegre ou Helena Roseta), que o são mais por questões conjunturais do que por terem um pensamento próprio.
António Barreto sempre foi, e continua a ser, alguém que me dá prazer ouvir.
No PS, é muito mais difícil encontrar este afastamento em relação ao que é o poder instalado no partido. Infelizmente, isso torna os programas ou debates em que entram membros do PS em máquinas de propaganda política, e não de propagação de ideias. Vejam-se os casos de António Vitorino, Jorge Coelho, José Magalhães ou da sempre patética Edite Estrela. Há, evidentemente, os dissidentes (como Manuel Alegre ou Helena Roseta), que o são mais por questões conjunturais do que por terem um pensamento próprio.
António Barreto sempre foi, e continua a ser, alguém que me dá prazer ouvir.
Três coelhos...
9 de dezembro de 2007
Um Cliente satisfeito atrai novos Clientes...
Ah, o acesso ADSL da Vodafone... :-)PS: Valores obtidos ligando-me via Wireless através de um router Wireless Linksys WAG-200
O que dizem os partidos de esquerda sobre a cimeira
Só ouvi estes; não tenho razões para crer que os outros tenham dito coisas muito mais acertadas. Mas aqui fica (citado de memória):
Jerónimo de Sousa dizia que "Os europeus estão a ser neo-colonialistas e a tentar dizer aos africanos como devem viver."
Desrespeito pelos direitos humanos, genocídios, ditaduras, maus tratos a mulheres, só preocupam o PCP quando estão associados aos EUA ou Inglaterra. Tratando-se de africanos, o que é mesmo, mesmo importante é respeitar a maneira de ser deles.
Louçã estava sobretudo preocupado com o Darfur. É preciso intervir no Darfur. O problema do Darfur, claro, é fácil de resolver:
1. Bush anuncia que vai enviar uma força de paz para o Darfur.
2. A Europa queixa-se em peso das intenções colonialistas dos EUA.
3. Os EUA anunciam que afinal não vão deslocar qualquer força militar para o Darfur.
4. Os europeus reclamam sucesso. Podemos todos dormir descansados porque dominámos essa ameaça à paz que são os EUA. Entretanto, em Darfur, continua a matança...
Jerónimo de Sousa dizia que "Os europeus estão a ser neo-colonialistas e a tentar dizer aos africanos como devem viver."
Desrespeito pelos direitos humanos, genocídios, ditaduras, maus tratos a mulheres, só preocupam o PCP quando estão associados aos EUA ou Inglaterra. Tratando-se de africanos, o que é mesmo, mesmo importante é respeitar a maneira de ser deles.
Louçã estava sobretudo preocupado com o Darfur. É preciso intervir no Darfur. O problema do Darfur, claro, é fácil de resolver:
1. Bush anuncia que vai enviar uma força de paz para o Darfur.
2. A Europa queixa-se em peso das intenções colonialistas dos EUA.
3. Os EUA anunciam que afinal não vão deslocar qualquer força militar para o Darfur.
4. Os europeus reclamam sucesso. Podemos todos dormir descansados porque dominámos essa ameaça à paz que são os EUA. Entretanto, em Darfur, continua a matança...
"Cavaco ofereceu um jantar, no Palácio da Ajuda, aos líderes Europeus e Africanos presentes na cimeira"
"O presidente da república Cavaco Silva oferece um jantar aos líderes Europeus e Africanos presentes na cimeira" - esta era uma das notícias de ontem à noite.Eu teria dado a notícia de outra forma:
"O Rei Cavaco Silva foi anfitrião de um jantar, oferecido pelos impostos da classe média, aos bananas líderes das repúblicas europeias e aos líderes das repúblicas das bananas africanas."
Sobre a cimeira, do pouco mais de nada que sei, tenho mixed feelings; estou dividido entre a perspectiva de que negociar é não entrar em ruptura e procurar pontos comuns e a sensação de que amanhã, em África, nada terá mudado.
7 de dezembro de 2007
As tangas do Ricardo (48)
De manhã, ao vestir-se, o Ricardo lança uma bufa.
"Ricardo... o que foi isso? Deste um pum?"
"Não foi um pum, foi uma... buzina."
"Ricardo... o que foi isso? Deste um pum?"
"Não foi um pum, foi uma... buzina."
13 de novembro de 2007
As tangas do Ricardo (47)
12 de novembro de 2007
Bater nos filhos...
Pergunta filosófica que me assola o espírito, vezes sem conta: Em que circunstâncias é aceitável um pai (ou mãe) bater num filho?
A forma fácil, porventura algo cobarde, de travar a discussão é falar dos casos-limite. Queimar uma criança com pontas de cigarro é inaceitável. Claro. Uma palmadinha tipo "encosto de mão", não faz mal a ninguém. Claro. Claro, mas por isso mesmo, irrelevante. E o que fica no meio? E o dia-a-dia?
Sendo certo que bater num filho nunca é, em si mesmo, uma coisa boa, pode ou não justificar-se para evitar males menores? Que impacto é que as palmadas que dou ao Ricardo ou à Carolina podem ter, no curto, no médio e no longo prazo?
Muitas vezes sinto que falho, quando podia ter encontrado outra forma de dar a volta à situação. Há palmadas que representam uma capitulação de quem as dá, e já tenho dado por mim a fazer esta análise a posteriori. Como o sentimento de culpa é um sentimento altamente improdutivo, e inconsequente (como dizia (a) alguém), há que tentar analizar, racionalizar, aprender, melhorar.
O Ricardo e a Carolina são dois miúdos espectaculares. Não obstante, ambos são capazes de nos fazer perder a cabeça (mais um que outro, talvez, mas isso é irrelevante). Nessas circunstâncias, acho que dar uma palmada é perigoso (para ambos). Dito isto, sinto como imperiosa a necessidade de transmitir alguma disciplina e respeito, e não vejo que isso deva ou sequer possa ser adiado para uns anos mais tarde. É algo que tento levar em consideração.
Também sinto, quase sem excepção, que as intervenções exteriores são sempre calamitosas. Desastrosas. Contraproducentes. Se estou a repreender um dos miúdos e alguém intervém para dizer... "Deixe lá, eles são miúdos, deixe-os fazer o que eles querem", o ímpeto é o de reagir exercendo maior dureza, o que evidentemente também não tem qualquer sentido. É outro aspecto que tento levar em consideração, quando aplicável.
A nossa sociedade, ou pelo menos grande parte dela, tolera mal ou até muito mal uma palmada dada em público. Tolera bem melhor que um pai ofereça uma consola para entreter o chato do filho, raio do miúdo, que só pensa é em brincar.
Palmadas, em miúdo, apanhei qb. Das vezes em que "apanhei", só me lembro distintamente de uma - foi uma em que apanhei de forma... injusta. De facto, eu e o JT não tínhamos chamado "preta estúpida" à empregada. Não tínhamos mesmo, foi ela que inventou! O "juiz" que foi chamado a analizar o caso ponderou a probabilidade de estarmos a mentir para "salvar a pele" face à probabilidade de a (agora sim) preta estúpida estar a contar uma história totalmente fantasiada, e... decidiu mal. As outras, mais merecidas ou menos, mais necessárias ou menos, não me ficaram na memória.
Espero, por vezes com inquietude, que quando tiverem a minha idade o Ricardo e a Carolina olhem para trás e achem, como eu acho quando olho para trás, que não obstante as falhas que serão sempre muitas... a coisa correu bem.
A forma fácil, porventura algo cobarde, de travar a discussão é falar dos casos-limite. Queimar uma criança com pontas de cigarro é inaceitável. Claro. Uma palmadinha tipo "encosto de mão", não faz mal a ninguém. Claro. Claro, mas por isso mesmo, irrelevante. E o que fica no meio? E o dia-a-dia?
Sendo certo que bater num filho nunca é, em si mesmo, uma coisa boa, pode ou não justificar-se para evitar males menores? Que impacto é que as palmadas que dou ao Ricardo ou à Carolina podem ter, no curto, no médio e no longo prazo?
Muitas vezes sinto que falho, quando podia ter encontrado outra forma de dar a volta à situação. Há palmadas que representam uma capitulação de quem as dá, e já tenho dado por mim a fazer esta análise a posteriori. Como o sentimento de culpa é um sentimento altamente improdutivo, e inconsequente (como dizia (a) alguém), há que tentar analizar, racionalizar, aprender, melhorar.
O Ricardo e a Carolina são dois miúdos espectaculares. Não obstante, ambos são capazes de nos fazer perder a cabeça (mais um que outro, talvez, mas isso é irrelevante). Nessas circunstâncias, acho que dar uma palmada é perigoso (para ambos). Dito isto, sinto como imperiosa a necessidade de transmitir alguma disciplina e respeito, e não vejo que isso deva ou sequer possa ser adiado para uns anos mais tarde. É algo que tento levar em consideração.
Também sinto, quase sem excepção, que as intervenções exteriores são sempre calamitosas. Desastrosas. Contraproducentes. Se estou a repreender um dos miúdos e alguém intervém para dizer... "Deixe lá, eles são miúdos, deixe-os fazer o que eles querem", o ímpeto é o de reagir exercendo maior dureza, o que evidentemente também não tem qualquer sentido. É outro aspecto que tento levar em consideração, quando aplicável.
A nossa sociedade, ou pelo menos grande parte dela, tolera mal ou até muito mal uma palmada dada em público. Tolera bem melhor que um pai ofereça uma consola para entreter o chato do filho, raio do miúdo, que só pensa é em brincar.
Palmadas, em miúdo, apanhei qb. Das vezes em que "apanhei", só me lembro distintamente de uma - foi uma em que apanhei de forma... injusta. De facto, eu e o JT não tínhamos chamado "preta estúpida" à empregada. Não tínhamos mesmo, foi ela que inventou! O "juiz" que foi chamado a analizar o caso ponderou a probabilidade de estarmos a mentir para "salvar a pele" face à probabilidade de a (agora sim) preta estúpida estar a contar uma história totalmente fantasiada, e... decidiu mal. As outras, mais merecidas ou menos, mais necessárias ou menos, não me ficaram na memória.
Espero, por vezes com inquietude, que quando tiverem a minha idade o Ricardo e a Carolina olhem para trás e achem, como eu acho quando olho para trás, que não obstante as falhas que serão sempre muitas... a coisa correu bem.
10 de novembro de 2007
...and now for something completely different (espaço para o politcamente incorrecto)
Mandam as regras que nunca se vai para um motel com a legítima. Não só não tem piada, como pode causar sérias perturbações familiares...
Josefa não aguentou e teve de contar à sua amiga Lurdes:
- O teu marido foi visto num motel.
A Lurdes abriu a boca e arregalou os olhos. Ficou assim, uma estátua de espanto, durante um minuto, um minuto e meio. Depois pediu detalhes.
- Quando? Onde? Com quem?
- Ontem. No Discretu's.
- Com quem? Com quem?
- Isso eu não sei.
- Mas como era a gaja? Era alta? Magra? Loira? Pernas boas? Rabo grande?
Mamas arrebitadas...
- Não sei, Lu.
- O Carlos Alberto vai-mas pagar. Olaré, se me paga !!
Quando o Carlos Alberto chegou em casa, a Lurdes anunciou que iria deixá-lo.
E contou porquê.
- Mas que história é essa, Lurdes? Então não te lembras que quem era a mulher que estava comigo no motel eras tu, minha tonta !!!
- Claro que me lembro !! Maldita hora em que eu aceitei ir lá ao Discretu's dar uma rapidinha! Toda a cidade já sabe que tu estiveste lá com uma gaja !!! Ainda bem que não me identificaram...
- E agora?
- Agora ?? Agora vou ter que te deixar !! É óbvio? É o que todas as minhas amigas estão à espera que eu faça. Não sou mulher de ser enganada pelo marido e não reagir.
- Mas tu não foste enganada. Quem estava contigo era eu, o teu marido!
- Mas isso é pormenor e elas não sabem disso!
- Eu não acredito, Lurdes! Tu vais acabar o nosso casamento por causa disso?
Pelo que as outras mulheres pensam ???
- Vou!
Mais tarde, já quando a Lurdes estava a sair de casa, com as malas, o Carlos Alberto chamou-a. Estava sombrio, taciturno...
- Acabo de receber um telefonema - disse - Era o Mendes.
- O que ele queria?
- Fez mil rodeios, mas acabou por me contar. Disse que, como meu amigo, tinha que me contar.
- O quê?
- Que tu foste vista a sair do motel Discretu's ontem, com um homem, e que de certeza não foi coisa boa.
- O homem eras tu!
- Eu sei, mas eu não fui identificado.
- Mas não lhe disseste que eras tu?
- O quê? Para os meus amigos ficarem a pensar que vou a um motel com a minha própria mulher? Deus me livre de tal coisa!!
- E então?
- Desculpa, Lurdes, eu não queria, mas...
- Mas o quê???
- Vou ter que te dar uma carga de porrada...
Josefa não aguentou e teve de contar à sua amiga Lurdes:
- O teu marido foi visto num motel.
A Lurdes abriu a boca e arregalou os olhos. Ficou assim, uma estátua de espanto, durante um minuto, um minuto e meio. Depois pediu detalhes.
- Quando? Onde? Com quem?
- Ontem. No Discretu's.
- Com quem? Com quem?
- Isso eu não sei.
- Mas como era a gaja? Era alta? Magra? Loira? Pernas boas? Rabo grande?
Mamas arrebitadas...
- Não sei, Lu.
- O Carlos Alberto vai-mas pagar. Olaré, se me paga !!
Quando o Carlos Alberto chegou em casa, a Lurdes anunciou que iria deixá-lo.
E contou porquê.
- Mas que história é essa, Lurdes? Então não te lembras que quem era a mulher que estava comigo no motel eras tu, minha tonta !!!
- Claro que me lembro !! Maldita hora em que eu aceitei ir lá ao Discretu's dar uma rapidinha! Toda a cidade já sabe que tu estiveste lá com uma gaja !!! Ainda bem que não me identificaram...
- E agora?
- Agora ?? Agora vou ter que te deixar !! É óbvio? É o que todas as minhas amigas estão à espera que eu faça. Não sou mulher de ser enganada pelo marido e não reagir.
- Mas tu não foste enganada. Quem estava contigo era eu, o teu marido!
- Mas isso é pormenor e elas não sabem disso!
- Eu não acredito, Lurdes! Tu vais acabar o nosso casamento por causa disso?
Pelo que as outras mulheres pensam ???
- Vou!
Mais tarde, já quando a Lurdes estava a sair de casa, com as malas, o Carlos Alberto chamou-a. Estava sombrio, taciturno...
- Acabo de receber um telefonema - disse - Era o Mendes.
- O que ele queria?
- Fez mil rodeios, mas acabou por me contar. Disse que, como meu amigo, tinha que me contar.
- O quê?
- Que tu foste vista a sair do motel Discretu's ontem, com um homem, e que de certeza não foi coisa boa.
- O homem eras tu!
- Eu sei, mas eu não fui identificado.
- Mas não lhe disseste que eras tu?
- O quê? Para os meus amigos ficarem a pensar que vou a um motel com a minha própria mulher? Deus me livre de tal coisa!!
- E então?
- Desculpa, Lurdes, eu não queria, mas...
- Mas o quê???
- Vou ter que te dar uma carga de porrada...
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