31 de julho de 2008

Cavaco Silva interrompe as férias para falar ao país

Noticiado aqui.

Cavaco Silva interrompe as férias para falar ao país, hoje às 20h00, na televisão. As especulações sobre o assunto são diversas. O próprio disse (na verdade foi o acessor que disse, mas que eu saiba os acessores não falam de forma "autónoma") que não interromperia as férias se não houvesse uma comunicação importante.

Presidentes da República nunca me inspiraram confiança, e não foi com Cavaco que isso mudou. Vamos lá ver se desta vez o rato vai parir uma montanha. É que de facto não é costume os Presidentes da República interromperem as férias. Os meses e os anos sucedem-se, e eles continuam de férias.

29 de julho de 2008

Símbolos da pátria - as fotos da polémica


Uma cantora Peruana tirou umas fotos nua, em cima de um cavalo, usando a bandeira como sela. A questão está a levantar grande polémica no Perú.

É verdade que o cavalo não está com ar satisfeito, mas parece ser mais tédio que outra coisa. A bandeira também não se está a queixar. Quanto à cantora propriamente dita, parece ser fresca qb. Qual é então o problema? Quem se queixa?

Cuil - motor de busca

"Cuil - The Google application killer"


Será um título exagerado... Mas lá que é uma alternativa ao google, ai isso é!

O começo não foi muito auspicioso, mas espera-se que o futuro o seja - é que eu sou daqueles que acham que os monopólios, como as ditaduras, têm todos os mesmos vícios, por oposição a quem acha que há monopólios (e ditaduras) que são bons, e outros (outras) que são maus.

Procurei por "abéculas", e os resultados foram decepcionantes. Há que dar tempo ao tempo.

28 de julho de 2008

Malta que se diverte...


No Porto, um homem foi condenado a 5,5 anos de prisão por ter baleado uns vizinhos que ele acreditava que lhe tinham sodomizado o gato! Ele há com cada maluco!

O excesso de velocidade

Já aqui o disse; em qualquer acidente rodoviário que aconteça, rapidamente vemos a política a falar em excesso de velocidade e álcool. Sempre achei muito curiosa esta pressa em concluir pela culpa do excesso de velocidade, face a alternativas como o mau estado do piso, mau estado do veículo, má condução (o que pode ser muita coisa), má construção da via, etc. Googlei "Excesso de velocidade" e encontrei estes dois gráficos, ambos referentes ao Brasil:


Fonte: http://www.dnit.gov.br



Dados curiosos os que aqui são referidos, quanto à sinistralidade no IP4. A maior velocidade registada este ano na A1 foi abaixo dos 180 kms/h, face ao limite de 120; já no IP4, onde o limite é 90, foram registados 2.200 carros a circular acima dos 180, ie, 2200 carros a circular mais depressa do que a maior velocidade registada na A1.

Então e os acidentes?
Em 2004, 33 mortos.
Em 2005, 18 mortos.
Em 2006, 13 mortos.
Em 2007, 8 mortos.
Em 2008, até agora, 3 mortos, pelo que o número poderá muito bem ficar abaixo do ano passado.

Dos vários troços do IP4, as maiores velocidades registam-se nos últimos quilómetros a caminho de Espanha. Curiosamente, esses são os de MENOR sinistralidade! Há muitos carros, a andar muitíssimo mais depressa, e os acidentes são menores.

Um dia destes a Brigada de Trânsito contrata alguém que saiba alguma coisa de estatística, e que estude a questão a fundo, e ainda irá concluir que "O acidente deveu-se a falta de velocidade"!

Argumentação em zigue-zague

Centenas de automobilistas andam a mais de 200 kms/h e no IP4 anda-se mais depressa que na A1. Os dados foram captados com câmaras da Estradas de Portugal, e não da Brigada de Trânsito. Esta é a notícia. Tudo o resto, é anedótico; diria mesmo que é argumentação em zigue-zague. Vejamos:

- Face à notícia, "as autoridades reagiram com alguma surpresa" e, mais adiante, "não vamos tolerar este tipo de velocidade" - o que é que fizeram? "...com o problema a fazer parte da agenda da próxima reunião". Desde já avança o responsável que vai "redireccionar os radares da BT para as zonas onde ocorrem mais infracções, sem descurar as restantes". Magia! Vai haver zonas que, apesar de não serem descuradas, vão deixar de ter radares!

"As pessoas queixam-se que o IP4 é martirizado pelas forças de segurança, mas estes números provam que não é assim tanto"
O que significa: "É, mas não tanto quanto se diz."
Curiosamente, a Estradas de Portugal parece é ser muito mais eficiente a detectar as infracções! Lembram-se que as autoridades "reagiram com alguma surpresa", não lembram?

Depois o presidente da Associação de Utentes do IP4 diz que os dados "não devem ser aproveitados para culpabilizar de imediato a estrada ou os condutores", embora frise que considera "estas atitudes (excesso de velocidade) condenáveis". Ou seja, não devemos condenar estas pessoas que têm atitudes condenáveis? Estou a (des)entender bem?

Um mal-entendido - claro!

João Moutinho e o seu empresário encontraram-se com Pinto da Costa num hotel, no Porto.

Filipe Soares Franco ficou satisfeito com as explicações que lhe foram dadas, de que foi apenas um almoço entre amigos. João Moutinho, o seu empresário e Pinto da Costa são amigos, e encontram-se nessa qualidade.

Isto não é uma notícia, claro, é uma piada que resolvi partilhar convosco.

26 de julho de 2008

Freak Show

Maria de Belém, convidada a posar como modelo.
Que me desculpe uma e outras, mas faz-me lembrar os tempos em que morei na zona do Intendente. Eu que até achava que o aspecto físico era o melhor que a senhora tinha!
O que a terá levado a aceitar tal empreitada? Interrogo-me...

22 de julho de 2008

Razões para gostar de Mário Crespo... ou "Volta, José, tudo está perdoado"

Mário Crespo é, já aqui o disse, o melhor comentador da TV portuguesa. A sua capacidade de olhar de frente as questões, mesmo quando o politicamente correcto é discutir questões acessórias e pouco relevantes, é algo que sempre me apraz observar.

Hoje recebi esta mensagem de um ex-blogger (abandonou o leme aqui do Abéculas, mas vai blogando por email - e pelos comentários, sempre com muito interesse - não vou dizer que os ratos são os primeiros a abandonar o navio, mas sempre direi que o Capitão afunda-se com o barco). Aqui fica pois a pérola, da autoria de Mário Crespo, mas que recebi pela "pena" do "jose".


O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. "Perdi tudo!" "O que é que perdeu?" perguntou-lhe um repórter.

"Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem..." Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos autodesalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga "quatro ou cinco euros de renda mensal" pelas habitações camarárias. Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que "até a TV e a playstation das crianças" lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam "quatro ou cinco Euros de renda" à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a "quatro ou cinco euros mensais" lhes sejam dados em zonas "onde não haja pretos". Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - "ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos." A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e autodenominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala. Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.