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19 de fevereiro de 2007

Fonte inesgotável de asneiras

Refiro-me ainda ao referendo do aborto. De um lado e de outro, pouca seriedade. De um lado e de outro, muita demagogia. De um lado e de outro, muita gente interessada em ganhar por ganhar. De um lado fanatismo religioso com vários rostos, do outro o fanatismo anti-religioso de Louçã.

No dia seguinte ao referendo, ouvi na rádio (salvo erro, na Antena 1) estas verdadeiras pérolas, num daqueles programas para onde os ouvintes ligam, e que eu tenho uma curiosidade doentia em ouvir (acho que são piores do que qualquer Big Brother ou sucedâneo que a SIC ou a TVI lancem).
"Ontem foi aprovado o abate indiscriminado de crianças."
O mesmo ouvinte referia-se às clínicas onde será praticado o aborto como "Os novos matadouros do Século XXI."

5 de fevereiro de 2007

Sócrates, afinal

Os movimentos pelo "Não" propõem que o parlamento legisle para despenalizar o aborto. Isto parece significar que há um pleno de vontades para que o abordo seja despenalizado/descriminalizado.

Sócrates responde, pasme-se, que faz questão de que a lei seja cumprida. Se o Não ganhar, serão levadas a tribunal mulheres apanhadas a abortar!

Afinal, Sócrates não é contra o aborto clandestino.
Afinal, Sócrates não quer evitar que morram mulheres por essa razão.
Afinal, Sócrates não quer evitar que sejam presas mulheres por terem abortado.

Na palhaçada que é este referendo, desde o início, uma vez mais os papéis invertem-se. Temos agora pelo menos um defensor do Sim que se afirma muito mais preocupado em que o "Sim" ganhe do que em manter quem aborta fora da cadeia!

Afinal, Sócrates vê no referendo uma oportunidade de disputar uma batalha política, não uma forma de ouvir a voz do povo. Afirmar que fará questão de que a lei seja cumprida, quando é sabido que pouco ou nada tem sido feito nesse sentido é, claramente, chantagem.

Ontem finalmente percebi que vou mesmo votar "Não". Ou "Assim, não", se preferirem. Para que conste, votei "Sim" no primeiro referendo. De facto, as coisas mudaram.