9 de julho de 2007

O meu primeiro festival

Fez Sábado 8 dias, fui ao "O meu primeiro festival", em Oeiras. Aqui ficam os meus pensamentos sobre o tema.

1. Proposta de valor
A Carolina divertiu-se mais a brincar com a prima do que propriamente a ver os espectáculos. A certa altura, pareceu-me que podíamos ter antes ido para um pinhal e levado uma grafonola para criar o ambiente.


2. Acidente
Apanhei um valente escaldão: Cara, pescoço, braços. Graças aos óculos de sol, a zona dos olhos ficou branquinha. Moral da história: Bronze "à camionista" (ou ciclista) da cabeça para baixo, bronze "da neve" na cara.

3. Reabilitação de Isaltino
O Sonso e o Mafarrico fazem sempre papel de maus. Normalmente, acabam o episódio na cadeira. No festival, vimos outro lado da realidade: afinal o Sonso e o Mafarrico não são completamente maus. Às vezes fazem asneiras, travessuras, mas no fundo até são boas pessoas, e puseram as crianças todas a cantar com eles. Ora, lá está - em Oeiras, o que conta não é se a obra é boa ou má, mas se está feita ou não.


4. As Doce Mania
Conhecia de nome, mas nunca tinha ouvido. São uma espécie de clone das Doce, mas em tamanho pequeno. Acho que o conceito é de muito mau gosto. Porque não fazer uma "CarlosPaião mania"? Bem mais adequado ao imaginário infantil. Bem mais melodioso. Bem melhor.
Claro que as músicas das Doce apelavam aos sentimentos; só que não aos sentimentos que devem estar associados a crianças. Tenho muitas reservas quanto à associação de crianças a temas como o "Põe-me KO, se fores capaz", o "Bem bom" até às 8 da manhã e, claro, a "música mágica na tua [do Ali Babá] flauta encantada". Estes são apenas alguns exemplos dos temas fortes do Reinaldo das Doce (digo, do Reinado das Doce).

5. O helicóptero
Durante o espectáculo, andava um helicóptero por cima do recinto. Fosse isto em Gaza, e em trinta segundos o recinto teria ficado vazio...

6. Exercitar a futilidade (com o patrocínio da Zara??)
As Bratz cantavam algo como "We're pretty girls with a passion for fashion". Também neste caso pergunto: serão estes os valores que queremos incutir às nossas crianças?

7. Eficiência
A meio, fui comer um cachorro quente com a Carolina e a prima. Estavam 4 pessoas para ser atendidas pelas 20 pessoas dentro da tenda (Museu do Pão). Demorei 10 minutos, ou mais, a ver o meu pedido atendido. Dá para acreditar?

6 de julho de 2007

Joe Belaldo

Ouvi dizer que vai haver uma OPA chinesa sobre o Benfica, concorrendo com a de Joe Berardo. Não grandes fundos estrangeiros, não investidores internacionais de referência, não grandes empresários nacionais ou internacionais do desporto.
Algo de peculiar haverá numa empresa para ser disputada entre dois contendores tão sui generis...

Dia V+7

Considerando que a Varicela é claramente uma doença chata, muito chata, o Ricardo tem-se portado de forma verdadeiramente excepcional. Durante todos estes dias nunca deixou de dar pulos na beirinha do sofá, nunca deixou de nos contrariar em tudo ou quase ("Pai, eu não quero que ponhas pomada. Eu quero ter comichão!"), tem comido bastante bem, continua a dar porrada na irmã mais velha e continua a deitar-se à meia noite.
Pontualmente deita-se mais cedo (tipo 23h30), talvez por força do Atarax, que é suposto deixá-lo mais sonolento (efeito secundário).

A coisa está na fase das crostas. As borbulhas secaram, dando lugar a crostas. Supostamente é desta fase que podem ficar marcas. Estando as defesas mais fracas, por força da luta com a Varicela, o rapaz está mais propenso às infecções, e ao coçar as crostas estas tendem a ocorrer. Vamos ver entretanto se a coisa continua a correr bem, sendo que foi nos últimos dois dias que ele mais se queixou da comichão.

1 de julho de 2007

Católica, ma non troppo (2)

Se o post abaixo é um thumbs up, este é um thumbs down (não à Igreja de Deus, mas à Igreja dos homens)

A Carolina frequentou entre o 1 ano e os 5 anos de idade uma creche/jardim de infância que funciona integrado numa Igreja. No último ano, as coisas correram mal. A professora teve um esgotamento, e esteve de baixa quase desde o início do ano. Os pequenos estiveram sem professora (tinham uma auxiliar) a acompanhá-los quase até ao fim do ano (2-3 meses antes, entrou uma nova professora para cumprir o resto do ano). Pusémos a hipótese de a Carolina continuar lá, na expectativa de que seria acompanhada pela professora que entretanto ia regressar mas, não havendo absoluta certeza sobre se voltaria, optámos por inscrevê-la no pré-escolar da escola primária que irá frequentar. A responsável da escola desaconselhou-o, porque "A Carolina é muito sensível, vai sentir muito a mudança e vai ter dificuldade em adaptar-se. Mas vocês é que sabem." Ora este argumento "liquidou" qualquer hipótese de a Carolina lá ficar. Se tem dificuldades em adaptar-se, mais vale que mude já: muitos dos colegas sabíamos que iam sair, não tínhamos a confirmação de que a professora fosse a que queríamos (e de facto não foi) e, se ia haver dificuldade na adaptação (que nunca nos pareceu que fosse o caso) mais valia que não fosse na primeira classe, mas antes. Como tantas vezes verificámos, o que aconteceu foi bem diferente do que a directora nos tinha dito. A Carolina adaptou-se lindamente, e ao Sábado e Domingo às vezes até refila porque... quer ir para a escola!

Este ano lectivo (Set/2006) a professora de facto voltou, mas para acompanhar os meninos dos 2 anos, pelo que acabou por ser professora do Ricardo. Sempre conseguiu lidar com ele de uma forma que nós admirámos (talvez seja mais correcto dizer que invejámos...), num equilíbrio de meiguice com autoridade que a nós quase sempre nos escapa.

Em Março, soubémos que a Professora em causa iria sair da escola, no final do mês, por se ter incompatibilizado com a direcção. Após conversar com os pais, a professora disponibilizou-se acompanhar os meninos até ao fim do ano, ou pelo menos para acompanhar a transição para a nova professora. Tudo isso foi recusado pela direcção. Os pais foram falar com o prior da paróquia, que geriu a crise com grande mestria, de uma forma que só consigo classificar como hipócrita. Perante várias contradições apontadas e perante alguns cenários propostos que tentavam fazer uma transição suave, a bem das crianças, o prior assumiu uma postura do tipo "Estão a insinuar que eu não quero o melhor para as crianças?", chantagens como "Isto para nós é um grande esforço; se isto nos traz tantos problemas vamos ter que encerrar a escola." ou outras do tipo "Vocês não percebem isso porque não têm alguma informação que eu tenho mas não posso divulgar." No meio de tanta gestão da comunicação, ao nível do que de melhor José Sócrates poderia fazer, um ou dois pais ficaram convencidos; os outros continuaram no seu estado de revolta. Não tendo nós na altura alternativas, optámos por deixá-lo continuar. O Ricardo regrediu em vários aspectos, como quase todos os outros miúdos, conforme nós receávamos e avisámos o prior. Os que sempre quiseram ir para a escola, deixaram de querer. No caso do Ricardo, regrediu nos chi-chis de noite, no vestir-se e no comer, coisas que começava a fazer sozinho.

Pelo meio, a avaliação das crianças feita pela antiga professora não nos foi entregue, sendo que nos é prometida agora uma avaliação, feita pela professora que os acompanhou (apenas) desde Abril. Soubémos entretanto por outros pais que no Jardim Infantil é prática corrente os miúdos serem postos de castigo (fora da sala ou no jardim, de pé e de frente para o muro) e vivem num pânico permanente com esses castigos. O Ricardo, traquina como é, ia ter lugar cativo junto ao muro.

Este ano, claro, vai sair. Há duas opções, cada uma com os seus prós e contras, mas ambas serão seguramente muito melhores. É que, infelizmente, nem em toda a Igreja é evidente o espírito do "Deixai vir a mim as crianças."

Católica, ma non troppo (1)

A China quer, para reatar negociações com a Igreja Católica, duas "pequenas" cedências:
- Que a Igreja Católica corte relações diplomáticas com Taiwan,
- Que seja a China a ter o poder de nomear os membros do Clero (o colégio dos bispos na China está na dependência do Estado Chinês.

Dia V+2

Qualquer esperança que tenha existido de que "pode ser que ele tenha a sorte de ter apenas meia dúzia de borbulhas" revelou-se completamente infundada.
Há num entanto um receio que não se tem confirmado. Até ver, e Deus queira que se mantenha assim, o Ricardo tem pouca tendência para coçar as borbulhas, pelo que não se tem revelado mais difícil de aturar do que o costume. Valha-nos isso.
A medicação: Pomada Caladryl, aplicada directamente sobre as borbulhas. Atarax 2 vezes por dia. Zovirax(*) 5 vezes por dia. Ben-u-ron para a febre.

(*) A 26 euros a embalagem, o Zolvirax deve fazer muito bem - aos médicos e às farmacêuticas. Espero que também esteja a fazer bem ao pequenote...

Sim, quero ir ver!

Die Hard 4!

29 de junho de 2007

Dia V (2)


Primeira contagem de borbulhas (8h30): 3 na barriga. Aquilo nas costas talvez seja uma quarta.
Segunda contagem de borbulhas (10h00): 8 (barriga e costas; pernas por inspeccionar)
Terceira contagem de borbulhas (10h45): 12 (barriga, costas, pernas)

Dia V (1)

Hoje de manhã, ao sair para a escola, o Ricardo estava com ar adoentado. Febre? Talvez um bocadinho. Ao pegar nele, vi duas borbulhas na barriga. Outra mais acima.
O que fazer? Tão em cima, não há espaço para procurar uma solução!
A decisão: Vamos levá-lo para a escola. Estamos mesmo sem alternativa, vai ter que ser. Provavelmente confirmar-se-á que é varicela, e hão-de ligar para o irmos buscar, mas ganhámos algum tempo. É isso. Vai ter que ser isso.
Já à porta da escola, começámos a questionar se a decisão fazia algum sentido. Bolas, o rapaz está doente, não pode ir para a escola. Haverá coisas realmente mais importantes? Pronto, vou ficar eu com ele. Terá que ser.
A caminho de casa, o Ricardo (que tinha estado a ouvir a nossa conversa, na melhor tradição da Carolina), começa a desbobinar: "Os meninos quando têm varicela não podem ir para a escola, têm que ficar em casa."
Ora ia ser divertido ele fazer esta conversa, uns minutos antes (ou depois) de as educadoras constatarem que ele estava com Varicela.
Moral da história: "Para cada Pinóquio, existe um Grilo Falante."