30 de agosto de 2008

As tangas do Ricardo (58)

Leitura criativa


Mesmo que não exista enquanto curso, como a escrita criativa, há uma prática a que poderíamos chamar de leitura criativa.
O Ricardo é um assíduo praticante dessa leitura criativa.

Hoje ao lanche, mostrei-lhe que havia uma palavra no pacote de leite - VIGOR - que também estava na caneca. Ele constatou que a palavra era a mesma, e ficou surpreendido.

Eu: Ricardo, depois também vais aprender a ler, como a Carolina, e podes ler o que aqui está escrito."
R: Mas eu já sei ler.
Eu: Então, o que é que está escrito aí com as letras vermelhas.
R: Leeeeiii-te. Está escrito LEITE.
Eu: Não, Ricardo, está escrito "Vigor". Mas olha, aqui em cima está escrito "Leite".
R: Ah, pois, era aí que eu estava a ler. Está aí escrito Leite!

As tangas do Ricardo (57)

O jogo das adivinhas



Ontem durante uma pequena viagem de carro, começámos o jogo das adivinhas. Para as crianças é um excelente entretenimento, e aos adultos dá-nos uma pequena janela para espreitar para o mundo, pelos olhos dos miúdos.

As regras são simples: uma das pessoas pensa em algo, e os outros têm que adivinhar. As perguntas são necessariamente perguntas fechadas. Podemos perguntar "É uma coisa amarela?" (a reposta será "Sim" ou "Não"), mas não podemos perguntar "De que cor é essa coisa?".

Jogar com o Ricardo é normalmente uma experiência desconcertante.

Quando é ele a pensar, pensa em coisas como "Sumo de folhas".

Ontem foi, para variar, interessante. As perguntas são nossas (minhas ou da Carolina), as respostas são do Ricardo.
N: É uma pessoa?
R: Não.
N: É um animal?
R: Não.
N: É uma coisa?
R: Não. Espera, afinal enganei-me. É um animal.
N: É maior do que tu ou mais pequeno do que tu?
R: É mais pequeno.
N: É perigoso?
R: Não [Esta deu muito pouca informação - para o Ricardo, o conceito de "animal perigoso" não faz sentido. Nem que seja um tigre, um urso ou um tubarão, são sempre amigos.]
N: Anda na terra?
R: Não.
N: Anda no ar?
R: Não.
N: Anda na água?
R: Não.
N: Eu não conheço nenhum animal que não viva no ar, nem na água, nem na terra! Desisto!
R: Hum... Querem uma pista?
N: Sim...
R: É um animal muito grande.
N: Mas disseste que era mais pequeno do que tu!
R: Oops! Enganei-me.
N: É maior do que tu?
R: SIM!
N: É maior que um cavalo?
R: Sim!
N: É maior que um elefante (liofante, diria o Ricardo).
R: Sim!
N: É maior que uma baleia?
R: Sim!
N: É um dinossauro?
R: Não!
N: Desisto! Não sei o que é!
R: Querem mais uma pista?
N: Sim.
R: É muito comprido, e tem duas cabeças.
N: É uma cobra? (lembrar que o mundo visto pelas crianças não é necessariamente igual ao nosso...)
R: Não!
N: É um animal que existe?
R: Não!
N: Desisto... Diz lá qual é o animal...

R: É UMA COBRA-DRAGÃO!

27 de agosto de 2008

A Senhora Carolina




Hoje, caiu-lhe o primeiro dente.

Por debaixo, vêm-se claramente dois dentes definitivos a sair.

Está cada vez mais crescida, a rapariga.

23 de agosto de 2008

Razões para não votar no PS

As notícias de crimes, com uma frequência e um nível de violência crescentes, são agora arma de arremesso política. O Ministro diz que está de consciência tranquila - porque nem sequer foi de férias.

O PSD pede a demissão do Ministro. O comentário de Vitalino Canas, esse grande vitelino, é que o PSD tem falta de imaginação. Ou seja, o tema é assunto de paródia. Ou seja, como de costume, discute-se a forma e não o conteúdo.

Enquanto Vitalino Canas for uma figura de proa no PS, seguramente não vou conseguir votar no PS.

Questiono-me porque é que os políticos não se aplicam a sério em melhorar a segurança e diminuir a criminalidade. Será Cortesia profissional?

16 de agosto de 2008

Andaram na mesma escola de Sócrates?

Nestes jogos olímpicos, tem havido muita mentira, muita encenação, muito faz-de-conta.
O fogo de artifício e as imagens da cidade, na cerimónia de abertura, a menina bonita a cantar em playback, com uma gravação feita de uma menina com uma voz excelente - mas menos bonita, logo, menos apresentável.
Agora achei piada a esta do levantamento de pesos. Depois de vomitarem no tapete com a cena, voltem atrás e vejam a barreirazinha feita pelos chineses... "Isto não foi nada... não há nada para ver..."

15 de agosto de 2008

Bronze, não aceito!

É um hino à falta de desportivismo... Deitar uma medalha olímpica de bronze para o chão... Mas quando a reclamação é de outro concorrente foi objectiva e manifestamente favorecido, e de que existe reiterada corrupção, algo que eu nem ao de leve saberia avaliar se é verdade ou não, fica-me a questão:

Não poderia/deveria ser feito o mesmo noutras latitudes, noutras situações?

Se os clubes de futebol que se sentem fortemente prejudicados em campo, ou fora dele, protestassem de forma veemente - por exemplo, não comparecendo a jogos ou até não se inscrevendo em competições - não iria isso obrigar quem olha para o lado a olhar de frente?

Como dizia um juíz do Supremo Tribunal Americano, "Sunlight is the best disinfectant."

"A festa do Pontal não me dá ponta!"

"A Outra"

Manuela Ferreira Leite é criticada por não ter ido à festa do Pontal. A festa do Pontal é a mais histórica festa política do país, a seguir à festa do Avante. Cavaco, Sá Carneiro, todos lá passaram.
António Borges diz que a festa não se enquadra no estilo de Manuela Ferreira Leite. Isto é evidentemente um disparate, porque pressupõe que Manuela Ferreira Leite tem (um?) estilo.
As razões, no entanto, são outras e são evidentes. É que ela é de um outro PSD; o PSD dela é muito mais PS do que D.

10 de agosto de 2008

A medalha olímpica de Vanessa Fernandes

Portugal é o mais medalhado nessa competição olímpica que é a arrogância.
Lembro-me de Vanessa Fernandes, depois de mais um dos seus inúmeros triunfos, dizer algo como que as adversárias não davam luta, ou que eram muito fraquinhas, ou algo deste tipo.
Depois disso, desistiu duas vezes.
Agora, nos Jogos Olímpicos, a medalha dela era dada como certa, ou quase. Por meio país, incluindo a própria.
Revejo-me muito pouco na atitude nacional de "entrada de leão, saída de sendeiro" - talvez porque não sei o que é um sendeiro. Também me revejo muito pouco na versão adaptada, "entrada de leão, saída de cordeiro".
Assim sendo, desculpem-me os meus compatriotas que se ofendem com esta atitude, mas fiquei satisfeito por a Vanessa Fernandes ter ficado em nono lugar.

Ainda assim, torço pela Naide Gomes, pelo Obiquelu, pelo João Branha (ainda jogam?), pelos esgrimistas, pelos judocas, pelos nadadores e pelos restantes atletas.

Só não torço pelas vitórias da Vanessa Fernandes. Para vedetas arrogantes, não precisamos dela. Muito menos, num ano de campeonato da Europa de Futebol. Já nos bastam os Simões Sabrosas, os Joões Moutinhos, os Scolaris, os Decos, os Quaresmas, etc, com aquelas frases bombásticas do tipo: "Não podemos prometer uma vitória, mas claro que achamos que vamos ganhar."

...e, depois, perdemos contra uma selecção - a Alemanha - não porque eles sejam melhores, mas porque fizeram o trabalho deles, dentro e fora do campo - lá está - com humildade.

8 de agosto de 2008

Excelência do trabalho policial?



No desfecho do assalto hoje a uma sucursal do BES, bem no centro de Lisboa, a imprensa congratulava-se com a eficácia da nossa polícia.
Percebo o entusiasmo, e concordo que correu bem, mas podia ter corrido bem melhor. Se é certo que um dos homens morreu, lamentavelmente o outro ficou apenas gravemente ferido. Assim sendo, quem é que pode reclamar um sucesso total?

7 de agosto de 2008

...e afinal, o que é que o rato pariu?

Quem sabe um bocadinho de biologia, sabe que um rato só poderia mesmo parir... outro rato.
O tema era importante? Sim.
Ter-se-à justificado todo o alarido, que obviamente foi incitado pelo próprio Cavaco Silva? I don't think so.