Há hoje poucos programas de televisão que considero melhores do que o "Fiel ou Infiel", da TVI (devo confessar que não consegui ainda ver mais de 60 segundos do "Quartel dos famosos freaks").
O Prós e Contras, por vezes, consegue sê-lo. Foi-o aquando do debate sobre os medicamentos genéricos, em que uma vez mais se viu como os interesses dos farmacêuticos são contrários aos da chamada sociedade civil (com grandes culpas para o estado, que se pôs (em bom rigor, que NOS pôs a nós) mais a jeito do que os Sodomitas. Mas divago...
Ontem, num debate sobre o Orçamento do Estado para 2006, lá estava um sindicalista com a famosa K7, a falar sobre direitos adquiridos e companhia.
Foi interessante ver como, quando César das Neves lhe disse que os sindicalistas tinham prestado um péssimo serviço, ao permitirem admissões em massa à Função Pública, durante o Guterrismo, contribuindo para a actual impossibilidade de ter aumentos na função pública, pelo exagerado quadro, o pobre coitado ficou sem saber o que dizer (acabando por se refugiar em acusações genéricas de "são sempre os trabalhadores quem paga a factura", etc).
É cada vez mais um discurso que faz lembrar Mourinho nos seus tempos do Porto: ninguém o percebia. A diferença é que Mourinho conseguia resultados, para grande tristeza do lagarto que (sobre)vive em mim.
Parece cada vez mais evidente que está na altura de um sindicalismo inteligente, esclarecido e responsável. De um sindicalismo que não queira apenas resolver os problemas deste ano agravando os problemas dos anos que vêm. Isto é, de um sindicalismo diferente do que temos hoje, baseado em chavões que leio nas paredes desde que sei ler: "Emprego sim, miséria não", "Aumentos sim, esmolas não" e outras pérolas do tipo.
Onde estava Wally, digo, Sampaio, aquando do negócio das SCUT? E onde está ele para evitar esses dois crimes, a OTA e o TGV? Porque razão se indigna esse nosso amigo com o crédito automóvel dos bancos para os particulares, e não com o crédito rodoviário do lobby do betão aos governos populistas?
Por vezes, mas só por vezes, fico na dúvida se não teremos por cá um excesso de OTArios... ou TGVários...
Volta, Afonso Henriques. Tudo está perdoado.
18 de outubro de 2005
14 de outubro de 2005
Vida, Défice, Sampaio
11 de outubro de 2005
Genius illuminatus

Eis que um artigo que acabo de ler, de António Borges, me leva de novo à escrita.
Concretizou-se a minha principal projecção relativa às autárquicas: os comentadores que opinam sobre a maturidade política do povo em geral, mas com sinais de clara imaturidade aqui (Oeiras) e ali (Felgueiras) e acolá (Gondomar).
Cito António Borges: "(...) Não só estes candidatos venceram, serviram-se também das suas vitórias para atacarem a democracia portuguesa (...) Não se pode culpar só os eleitores(...)".
Não se pode culpar SÓ os eleitores, donde, pode-se/deve-se culpar (sobretudo?) os eleitores. Parece que a culpa anda à solta, mas felizmente é um mal que só acontece aos outros, conforme se deduz pelo artigo de opinião deste verdadeiro génio iluminado. Imagino que o discurso pudesse ser algo alterado, caso fosse o Dr. António Borges a ser alvo de uma infame e caluniosa acusação de uma qualquer índole.
Se a moda pega, a um ano das próximas eleições alguém lançará suspeitas de qualquer índole sobre Rui Rio, Moita Flores, Fernando Seara, Carmona Rodrigues, Alberto João Jardim e outros. Enquanto se espera que a Justiça actue, o PSD decide não os apoiar. Fará isto algum sentido? Não creio.
Acho que está na hora de alguém tirar a venda dos olhos à Justiça, e colocá-la na boca de certos comentadores. Como eu, talvez! :-)
Quero começar por referir que, na minha ignorância sobre leis, começaria por distinguir o caso do Dr. Avelino Ferreira Torres, pelo facto de este ter já sido condenado (terá recorrido da sentença, pelo que poderá ainda vir a ser ilibado por um tribunal de instância superior). Ainda assim, uma condenação por um tribunal parece-me mais "impressionante" do que uma acusação (ou o mero facto de se ter sido constituído arguido, situação em que nem sequer existe uma acusação formalizada).
Já no caso da Dra Fátima Felgueiras, para mim não está em causa o ter fugido durante dois anos a uma medida de coacção. Simplesmente, sou demasiado invejoso para respeitar alguém que passou dois anos no Rio de Janeiro, na boa vida, e de lá voltou com aquele glorioso bronzeado. Só de olhar, fico azul. Não há saco!
Assim, os meus comentários reportam-se a Oeiras e Gondomar. Em ambos os casos, temos dois arguidos que nem tão pouco estão acusados. E no caso de Gondomar o processo tão pouco terá a ver com a vida autárquica, mas com a sua estada à frente do Boavista.
Contraditoriamente, vários candidatos menos mediáticos foram apoiados pelo partido, não obstante sobre eles recairem acusações ou suspeições, nalguns casos de ilícitos que teriam sido praticados no âmbito das suas funções enquanto autarcas.
Parece-me pois que há um juizo à partida sobre quem é merecedor e quem não é merecedor, o que me parece totalmente inaceitável.
Cá por mim, no meu ingénuo entendimento sobre as leis, ser-se inocente até prova em contrário, ou ter-se a presunção da inocência, deveria significar que se mantêm intocados, ou perto disso, os direitos de cidadania. A alternativa é ter um sistema judicial que julgue em tempo útil, o que parece não ser o caso. Ninguém deve ser obrigado a esperar, de braços cruzados, por uma justiça que demora anos a produzir uma acusação. Ou não demora tanto tempo, ou não se obriga o cidadão a esperar de braços cruzados.
Democracia significa Governo do povo. Logo, por definição, quem diz que o povo se enganou não tem espírito democrático. Nalguns casos terá também mau perder.
9 de outubro de 2005
Sabedoria popular e falta de cultura democrática
Durante muitos anos, habituámo-nos a ouvir comentadores e políticos, comentando resultados de eleições, falar na sabedoria popular, e em coisas tão extraordinárias como que "o povo deu-me maioria para governar, mas não me deu maioria absoluta, para me indicar que deveria dialogar com as outras forças políticas". Ora eu lembro-me bem de ter votado nessas eleições, e afianço-vos que apenas se podia votar num partido, não sendo possível indicar coisas tão extraordinárias como a atrás mencionada.
Existe pois uma álgebra político-eleitoral que, apimentada com uma certa dose de semântica, determina que a soma de todas as cruzes colocadas nos boletins pode ser lida do modo que se quiser. É pois perfeitamente válido para muitos políticos e comentadores que existe uma espécie de "sabedoria colectiva", que por acaso corresponde à soma dos votos de cada indivíduo. A última vez que observei tal tipo de sabedoria colectiva foi naqueles bonequitos verdes com três olhos do Toy Story.
A visão é de um povo (somatório de pessoas individuais) que raramente tem dúvidas e que nunca se engana, apesar de cada uma das pessoas que dele fazem parte ter dúvidas sistemáticas e viver enganado (basta ver que o SLB tem 8 milhões de adeptos).
Agora, com os autarcas-bandidos, a coisa é muito engraçada. De repende, comentadores e políticos descobriram que afinal, o povo não é soberano, não sabe o que quer e também se engana.
Enquanto o "povo" votava de um modo perfeitamente previsível, mais alternância ou menos maioria, tinha razão. De repente, perdeu-a. Acontece.
Cá por mim, penso que seria mais sério fazer uma leitura despida de preconceitos. Talvez porque sou ingénuo, gostaria de pensar que se é de facto inocente até ser condenado por uma sentença transitada em julgado, ie, inapelável. Assim, bandidos são os que foram condenados, não os que estão acusados. Prefiro viver num país em que se é inocente até prova em contrário, e não num país em que se é culpado até prova em contrário. Acusar alguém não custa, e o que não custa tem pouco valor.
Mas dando de barato que os ditos senhores e senhora roubaram, pilharam, chantagearam, branquearam (ou azularam), tudo a coberto de um mandado popular...
Porque é que o mesmo povo que os elegeu se propõe agora apostar no(s) mesmo(s) cavalo(s)? Cá por mim, que por acaso não voto nem em Oeiras, nem em Gondomar, nem em Amarante e nem em Felgueiras, a coisa é explicável de uma forma simples: "dos males, o menor".
Entre um político "bandido" e um político incompetente, a maioria das pessoas prefere o "bandido", por ser um mal menor. Cá para mim, estas eleições mostrarão não a ignorância de um povo, mas o desespero de um povo.
Diz-se agora que votar nestes candidatos é um sinal do fracasso de 30 anos de democracia. Fracasso é só um em cada três eleitores votarem de facto. No momento do voto, o eleitor não indica se quer que A, B ou C tenha maiorias absolutas, ou se quer que D seja o maior partido da oposição. Pode no entanto votar em branco, nulo ou em qualquer outro candidato. Estas são as regras da democracia. Regras estas que pelos vistos incomodam comentadores e políticos, que de repente descobriram que o povo tem pouca cultura democrática. Falta de cultura democrática é não aceitar a vontade do povo, conforme comentadores e políticos agora querem fazer.
Uma citação atribuída a Sir Winston Churchill, para terminar:
It is a fine thing to be honest, but it is also very important to be right.
Existe pois uma álgebra político-eleitoral que, apimentada com uma certa dose de semântica, determina que a soma de todas as cruzes colocadas nos boletins pode ser lida do modo que se quiser. É pois perfeitamente válido para muitos políticos e comentadores que existe uma espécie de "sabedoria colectiva", que por acaso corresponde à soma dos votos de cada indivíduo. A última vez que observei tal tipo de sabedoria colectiva foi naqueles bonequitos verdes com três olhos do Toy Story.
A visão é de um povo (somatório de pessoas individuais) que raramente tem dúvidas e que nunca se engana, apesar de cada uma das pessoas que dele fazem parte ter dúvidas sistemáticas e viver enganado (basta ver que o SLB tem 8 milhões de adeptos).
Agora, com os autarcas-bandidos, a coisa é muito engraçada. De repende, comentadores e políticos descobriram que afinal, o povo não é soberano, não sabe o que quer e também se engana.
Enquanto o "povo" votava de um modo perfeitamente previsível, mais alternância ou menos maioria, tinha razão. De repente, perdeu-a. Acontece.
Cá por mim, penso que seria mais sério fazer uma leitura despida de preconceitos. Talvez porque sou ingénuo, gostaria de pensar que se é de facto inocente até ser condenado por uma sentença transitada em julgado, ie, inapelável. Assim, bandidos são os que foram condenados, não os que estão acusados. Prefiro viver num país em que se é inocente até prova em contrário, e não num país em que se é culpado até prova em contrário. Acusar alguém não custa, e o que não custa tem pouco valor.
Mas dando de barato que os ditos senhores e senhora roubaram, pilharam, chantagearam, branquearam (ou azularam), tudo a coberto de um mandado popular...
Porque é que o mesmo povo que os elegeu se propõe agora apostar no(s) mesmo(s) cavalo(s)? Cá por mim, que por acaso não voto nem em Oeiras, nem em Gondomar, nem em Amarante e nem em Felgueiras, a coisa é explicável de uma forma simples: "dos males, o menor".
Entre um político "bandido" e um político incompetente, a maioria das pessoas prefere o "bandido", por ser um mal menor. Cá para mim, estas eleições mostrarão não a ignorância de um povo, mas o desespero de um povo.
Diz-se agora que votar nestes candidatos é um sinal do fracasso de 30 anos de democracia. Fracasso é só um em cada três eleitores votarem de facto. No momento do voto, o eleitor não indica se quer que A, B ou C tenha maiorias absolutas, ou se quer que D seja o maior partido da oposição. Pode no entanto votar em branco, nulo ou em qualquer outro candidato. Estas são as regras da democracia. Regras estas que pelos vistos incomodam comentadores e políticos, que de repente descobriram que o povo tem pouca cultura democrática. Falta de cultura democrática é não aceitar a vontade do povo, conforme comentadores e políticos agora querem fazer.
Uma citação atribuída a Sir Winston Churchill, para terminar:
It is a fine thing to be honest, but it is also very important to be right.
5 de outubro de 2005
Abéculas, aves raras e outras espécies endémicas
Este site é dedicado a todas as abéculas, aves raras e espécies endémicas do nosso Portugal, sem discriminação de côr, raça, religião, convicções (políticas, religiosas, clubísticas ou artísticas). Há no entanto uma evidente discriminação em relação a quem não fale Português.
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