6 de janeiro de 2006

Presidente força Sócrates a travar Iberdrola na EDP



in Diário Económico, 6/Jan/2006:
Sampaio ao Diário Económico:

"Agi em conformidade com os poderes do presidente para defender o interesse nacional no médio e longo prazo."

Ora é sabido que o MP3 acha que as tesouras de Belém servem para cortar fitas, não para cortar diplomas do Governo (ainda que um senhor que era parecido com ele, só que 20 anos mais novo, o MP2, tenha usado bastante a tesoura para ambos os efeitos).

E, pergunto eu: O que fazer? Como deve um canhoto reagir? Aplaudir a decisão de Sampaio, ou rasgar as vestes em protesto pela intromissão na esfera de competências do Governo? Será que hoje à noite vou ouvir Soares a dizer que Sampaio não conhece a constituição, e que tem uma visão de Primeiro-Ministro? Ou o que é válido para Cavaco é diferente do que é válido para Sampaio?

30 de dezembro de 2005

O trânsito em Lisboa


Carrilho foi acusado de demagógico por ter dito que para resolver o problema dos transportes públicos bastaria que Carmona Rodrigues passasse a usá-los em vez de andas de carro.
Por uma vez na vida, concordo com ele. Não por tirar um carro da cidade (ainda que o presidente da Câmara seja uma pessoa mais importante do que as outras, e tenha direito a escolta policial para afastar o trânsito) mas porque perceberia o que há de errado com os transportes públicos.
Na verdade, em vez de Carrilho, talvez pudessem antes obrigar a administração da Carris a andar diariamente de autocarro e a da Metropolitano de Lisboa a andar diariamente de metro.

Metro e meio


O Metropolitano de Lisboa, E.P., é a empresa mais detestável, prepotente e arrogante de que tenho memória. Assim o é, desde que há memória, mas a situação tem-se vindo a agravar de uma forma impressionante.

Tenho comigo um bilhete de metro de 10 viagens. Custo: 6,35 EUR, emissão: 16/12/2005.
Tenho outro, mais antigo. Custo: 6,00 EUR, emissão: 17/9/2004. Ainda outro, mais antigo: 6/11/2003.

Primeira constatação: Nos últimos dois anos, o preço aumentou 11,6% ao ano (no total, 24,5%. Os comboios não passaram a ser mais frequentes, não reconheço melhorias em qualidade nos últimos 2 anos, e não servem cafés a bordo.

Segunda constatação: Se quiser usar um dos bilhetes mais antigos, não posso. Foram-me dados alguns dias, após mudança de tarifa, para trocar de bilhete. Sucede que é nula a minha disposição para ir para longas filas para me trocarem um bilhete de 6,15 euros (já só com 3 viagens) por um bilhete de 6,35 euros, com as mesmas três viagens. Curiosamente, o bilhete não refere qualquer prazo de validade!

Terceira observação: O que há de diferente no Metro, para justificar esta variação anormal? Algumas coisas:
- As paragens e avarias na linha parecem-me mais frequentes, mas pode ser da má vontade com que estou.
- Os pedintes nas carruagens parecem-me mais, mas pode ser devido ao mesmo fenómeno.
- Objectivamente, temos agora o desconforto acrescido de umas portas que nem sempre funcionam bem, nem sempre aceitam o bilhete e, mesmo quando funcionam, são um entrava à circulação, mais aborrecido ainda em hora de ponta.
- Sempre achei que estas portas visavam evitar os caloteiros que andavam sem bilhete. Ora, isso deveria significar que o projecto era todo ele pago pelo aumento das receitas provenientes desses passageiros, que iriam passar a pagar bilhete. Donde, não deve ser essa a justificação de um aumento de 11,6% ao ano, nos bilhetes.
- Objectivamente, temos longas caminhadas nas mudanças de linha, e temos mudanças de linha mais frequentes. Experimentem ir da Gare do Oriente até ao Colégio Militar. O percurso demora, incrivelmente, quase uma hora!

Recentemente vi um artigo em que a administração do Metropolitano de Lisboa dizia que "não andava a reboque da Câmara Municipal de Lisboa", isto em relação à reparação de fendas, à muito identificadas, na zona do Marquês, e que deveriam ser reparadas antes da continuação do Túnel do Marquês. Infelizmente, a tragédia de Entre-os-Rios não serviu de lição.
Se eu mandasse, mas não mando, quem produziu esta afirmação fantástica iria ficar a observar as ditas fendas, durante toda a obra, nos túneis do Marquês. Se a coisa corresse mal, sempre poderia pedir um "reboque da Câmara".

Ah, gentalha detestável, prepotente e arrogante!

29 de dezembro de 2005

Bet and Lose


Soares insurgiu-se contra as apostas nas presidenciais, da empresa Bet And Win, dizendo nomeadamente que "Candidatos não são cavalos" e "as apostas fazem-se sobre cavalos, ou sobre cães, não sobre pessoas".
É inegável que o não são. Podem ser animais políticos, velhas raposas, mas cavalos não são. De resto, acho especialmente curioso que se diga de Soares que é uma "velha raposa" como elogio!
Aproveito para referir que as apostas se fazem sobre eventos, não sobre animais. Os animais não têm probabilidades; os eventos é que as têm. As bolas numeradas que saem no Euromilhões ou Totoloto também não são animais, claro, e não há dúvida que sobre elas se aposta, e forte. Estou mesmo disposto a apostar que Soares já terá tomado parte em alguma aposta que não envolvia animais (totoloto, totobola, lotaria).
De manhã, quando acedi ao site, o valor pago em caso de acerto no candidato, por cada euro, era o seguinte:
Cavaco - 1.15
Alegre - 5.5
Soares - 6.75
Jerónimo - 101.0
Louçã - 201.0
Tenho para mim que Soares terá ficado incomodado, sobretudo, com o facto de outros animais, digo, candidatos, estarem melhor cotados do que ele próprio. E não estou seguramente a referir-me a Cavaco.
Termino com uma publicidade não-paga ao site do momento:
www.betandwin.com

21 de dezembro de 2005

Dormir descansado após as presidenciais


Depois do que foi o serviço ao PS prestado por Jorge Sampaio, pela presença discreta durante o Governo de Guterres e agora de Sócrates e pela intervenção destabilizadora durante os governos de Durão Barroso e sobretudo Santana Lopes, acho que consigo dormir descansado independentemente de quem venha a ser o próximo Presidente da República. Pelo menos, sabemos que ainda que venha a ser Cavaco, que como eu não sabe o que é a diáspora portuguesa e a cidadania global, não usará expressões como "Xico-espertismo".

Cavaco, com mais ímpetos de intervencionismo. Alegre, porventura com alguma vontade de "praxar" Sócrates, face aos maus tratos sofridos durante a guerra fraticida. Quanto a Soares, o aumento do défice e o aumento do desiquilíbrio da balança comercial é inevitável, já que as viagens para as Seichelles aumentaram de uma forma muito substancial nos últimos 10 anos.

Soares, by himself


Como ouvir Soares falar 10 minutos sobre as suas ideias? Aqui fica a receita:

Arranje uma cópia do debate de uma hora. Agora, veja o debate 4 a 5 vezes. Já está. Não custou nada!

Votar pensando nos filhos


No penúltimo debate, Soares tossia sempre sem pôr a mão à frente da boca. Hoje, coçava a cabeça, esfregava o nariz...

Ora, como podemos educar os nossos filhos, com um presidente que não sabe (ou já se esqueceu) do básico da higiene?

A cultura de Soares é política, mediática, socialista, laica e mais o que ele quiser. Pena é que não tenha um pouco mais a cultura da higiene.

Não sei no entanto o que é a diáspora portuguesa ou a cidadania global.

O debate de Soares e Cavaco


Soares queixou-se, na véspera do debate com Cavaco, que eram precisos mais debates. Hoje, abriu o debate cumprimentando Cavaco e imediatamente lamentando o facto de não haver mais debates.
Será o desespero de quem receia ficar atrás de Alegre ou é mesmo a idade?

20 de dezembro de 2005

A vida é uma soda


Dizia o nosso primeiro ministro em funções, em resposta a uma questão da bancada do CDS/PP sobre a OTA e o TGV:
"Em que estudos é que os senhores se baseiam para estarem contra a OTA?"
O nosso primeiro-ministro acha que somos todos burros, loucos ou burros e loucos. Esquece-se que nem todos votámos nele.
À falta de estudos que provem o contrário, acho que Sócrates está a gozar com a nossa cara.

10 de dezembro de 2005

Louçã, o espantosamente liberal


É bem sabido que a esquerda em geral, sobretudo a intelectualóide, tende a ser proteccionista de uma forma obcecada com aspectos como a contratação e os aumentos de salários (a competitividade da economia portuguesa, essa, parece ser pouco importante).

Ignoram, seguramente, que é porventura nos países mais liberais nestes aspectos, como os EUA, que existem menores taxas de desemprego. A cultura da fixação ao local de trabalho, à função, ao departmento e porventura ao edifício, é a cultura da imobilidade e da MEDIOCRIDADE. Pelo contrário, a rotação de pessoas, se por um lado apresenta diversos desafios, por outro é um incentivo à melhoria constante e à eficiência.


Descobri ontem a forma como Louçã, ou porventura o Bloco de Esquerda, é liberal no que diz respeito à política de emigração, dizendo a entrada dependeria dos que coubessem; ficava portanto ao bom senso de cada um.
Como se fosse credível que um desgraçado vindo de África, da China ou quiçá de um dos países do Leste europeu (onde a esquerda mostrou bem o que vale) deixe de vir para Portugal por, no seu bom senso, achar que vai contribuir para piorar a situação dos transportes públicos, ou irá tirar emprego a alguém que, português ou não, legal ou ilegal, já cá está.
Este nosso iluminado candidato parece não perceber que uma política de emigração desregrada, a coberto deste ou daquele argumento moral (no melhor estilo de Louçã), é uma política de nivelamento por baixo, de mediocridade. Não só não se melhora a qualidade de vida nesses países, como se piora a qualidade de vida em Portugal. Louçã não vê inconveniente em deixar entrar mais pessoas, numa política de portas abertas, num país com níveis históricos de desemprego.


Formado em Economia, Louçã sabe que o que diz é que o mercado de emigração deve funcionar como que em "concorrência perfeita". Ora estes mercados caracterizam-se por ser os de preço mais baixo, só que neste caso estamos a falar do "preço da cidadania": Mais pessoas a procurarem empregos; o mesmo número de posições disponíveis; logo, redução dos níveis médios de ordenados. Acompanhada por redução na qualidade dos serviços públicos, mais pressionados por servirem agora mais pessoas.