23 de maio de 2009

Razões para vergonha

Marinho Pinto e Manuela Moura Guedes deram um espectáculo do que melhor sabem fazer - peixeirada - em directo na TVI, o canal mais próprio para o efeito. "Você devia ter vergonha", dizia Marinho Pinto sobre Manuela Moura Guedes e a sua forma de fazer jornalismo. Ora "você devia ter vergonha" é algo que não faz sentido dizer a alguém que está algures entre um pneu mal recauchutado e uma boneca insuflável.

Ora um peixeiro é um peixeiro, e uma peixeira é uma peixeira. Acho que há bem mais de que ter vergonha, nesta nossa terra. A começar pelo Primeiro-Ministro.

Sem surpresa, a Comissão Europeia vem por em causa o plano tecnológico, e diz que o processo do Magalhães não foi transparente - a empresa JP Sá Couto foi beneficiada, num processo em que foi feito um ajuste direito de grande escala - isto é, em que o Estado (ou melhor, o Governo) escolheu sem fazer concurso público.

Curiosamente, tinha estado a ler uma revista de revendedores de informática, a Channel, onde referem as vendas e as quotas de mercado de PCs e portáteis. Como evoluiu a JP Sá Couto, entre 2007 e 2008?

Em PCs de secretária, aumentou a sua quota de mercado de 7,8% para 10,3%. Era a empresa com a terceira maior quota de mercado, e manteve essa posição relativa. No último trimestre de 2008 a quota foi de 11,4%, face a uma quota de 10,2% no período homólogo do ano anterior. Uma excelente performance.

Mas então e o Magalhães? Vamos ao panorama dos portáteis.

Em 2007 a JP Sá Couto tinha uma quota de 1,6%, o que a colocava no 9º lugar do ranking, de resto praticamente com as mesmas unidades vendidas que o 10º lugar. Em 2008, aqui sim com o efeito Magalhães, passou para uma quota de 12%, no quarto lugar do ranking, muito próximo do terceiro. Considerando apenas dados do último trimestre destes anos, as coisas são ainda mais surpreendentes: a empresa passou directamente do 9º lugar, com 1,7% de quota, para o - pasme-se - 1º lugar, com 21,3% das vendas no quarto trimestre de 2008. À frente, pasme-se, de empresas como a HP, a Toshiba e a Asus.

14 de maio de 2009

O diabo está nos detalhes

Já olharam bem para a fatiota do Senhor Silva, dois posts abaixo?
Mais que raio de indumentária é aquela?
Uma estrela de Sheriff?
Um casaco de campino?
Um lacinho branco, de empregado da Pastelaria Versailles?
E aquela faixa... lá na loja, não teriam modelos para homem?
Enfim. Para campino está demasiado maricón, para Sheriff está demasiado solene, para empregado de mesa está demasiado desabotoado, para presidente está demasiado palhaço, mas para palhaço está demasiado sério.

Sou levado a crer que esta imagem seja um protótipo para um modelo nacional das Polly. Portugal a inovar!!

Direito ao contraditório

No post imediatamente abaixo dou a minha nota negativa ao Presidente, portanto para equilibrar aqui fica um link para um texto de alguém que não tem grande estima pelo Governo...

Humorismo

Ouvi antes do jantar o Senhor Silva a responder a uma pergunta de um jornalista, sobre o processo disciplinar que vai ser aberto a Lopes da Mota:
"Não é justo - just - que me faça essa pergunta aqui, onde estou a tratar de assuntos da Europa - Euro". De facto, há pessoas para quem fazer humor é tão natural como, sei lá, comer uma fatia de bolo-rei.

Eu não me ria tanto desde que o Senhor Silva escreveu um artigo a explicar como o mau político afasta o bom político, em plena governação de Santana Lopes, tendo-se depois sempre recusado a comentar se era - ou não - relativo a Santana Lopes.

Na altura achei particularmente irónico que isto fosse dito pelo presidente que afastou nas presidenciais Louçã, Jerónimo e Mário Soares, esses bons políticos. De resto, e no sentido em que o veio substituir, podemos também dizer que o Senhor Silva afastou também Sampaio. Sobre a minha estima por Sampaio recordo apenas que ele é a abécula que inspirou o nome do blog...

12 de maio de 2009

Doente, eu?

Sábado à noite, doía-me a cabeça e sentia-me mal disposto. "Foi de estar a tarde toda com os miúdos", pensei. Mas estava com 38.5 de febre. O Domingo foi pacato, por casa, e a febre manteve-se, sem grandes subidas ou descidas. A sensação geral era de mal estar, e sentia um "arfar", por vezes, ao inspirar.

Ontem, claro, fui trabalhar. Ao fim do dia fui ao Hospital da Luz, onde me disseram que teria que esperar no mínimo uma hora e meia para ser visto. Isso explica certamente porque é que eu disse que queria ir às urgências e me explicaram que era o "serviço de atendimento permanente" - como quem diz: para nós, nada é urgente. Desisti, e mais tarde acabei por ir à Cuf das Descobertas.

Diagnóstico: Pneumonia! "Você por acaso viajou, recentemente?" - não, respondi. Só dentro de Lisboa.
Antibiótico e mais umas coisitas, e com ordem para lá voltar na 6a feira, porque "nestas coisas, não gosto de facilitar" - disse o médico.

Hoje de manhã, ainda com febre, fui - claro - trabalhar. Como os meus clientes são os melhores do mundo, quando lá cheguei mandaram-me para casa. Só que - claro - como eles são os melhores do mundo, não fui.

Lá acabei por ir, quando a Ana olhou para mim e me disse: "Você está um bocado pálido".
"Sim, estou com uma pneumonia. Mas até nem me sinto mal..."
"Olhe que isso é muito perigoso! Não devia estar aqui! Cuidado com isso!" e por aí fora. Intimidou-me de tal modo que, já quase ao fim do dia, lá me vim embora.

Acho que posso dizer que, pelo menos até essa altura, a minha atitude face à pneumonia foi própria de um verdadeiro Black knight.

24 de abril de 2009

Sócrates e a liberdade de expressão

Não há coacção no caso Freeport?
Sócrates está a processar em tribunal nove jornalistas. Se isto não é coacção, não sei o que é.
Talvez aproveite o Dia da Liberdade, já este Sábado, para processar também, por exemplo, António Barreto...

23 de abril de 2009

O 25 de Abril e a arte

Artista que é artista (poeta, pintor, músico) é de esquerda. Bom, haverá umas excepções, mas mais para provar a regra que outra coisa. Observo, no entanto, que os artistas de referência do 25 de Abril (*) são especialmente fraquinhos. Ou distraídos. Ou talvez a culpa seja dos ácidos, sei lá.

Em termos literários, são os autores daquelas pérolas de rua, do tipo "Liberdade sim, Fascismo não".

Hoje ouvi uma música da altura. A melodia não era bonita, e não me pareceu particularmente bem cantada. Mas quem sou eu, um homem de direita, para apreciar a arte?

Chamou-me à atenção sobretudo a letra da música. Fala de um rouxinol a quem cortaram as asas, e que portanto não pode voar. Ora isto é muito estúpido:

- Os rouxinóis não são conhecidos pelas suas asas nem pelo seu vôo. Se fosse um falcão ou um albatroz, ainda se percebe. As asas do Rouxinol são a Famel Zundapp das aves.

- Por outro lado, o rouxinol é conhecido, isso sim, pelo seu canto - Não existe a expressão "Voar como um rouxinol", mas existe a expressão "Cantar como um rouxinol". Além disso, que eu saiba o antigo regime era criticado pela falta de liberdade de expressão, não por impedir as pessoas de voarem ou até de se deslocarem por outros meios.

Ora não seria mais lógico dizer que "Partiram o bico ao rouxinol, ele voa para onde quiser, mas lá cantar, isso não canta"?


(*) Abriria aqui uma excepção para José Barata Moura...

O problema do 26 de Abril

Hoje dizia na rádio um Zé qualquer (acho que era um Zé Ninguém), que "Eu olhava para o regime, e pensava: Mas porque é que não podemos ser nós a escolher os nossos representantes? A ter os políticos que escolhemos?"

Ora eu a última vez que senti que estava a escolher o político que queria, foi nas eleições para a CML de Lisboa, quando votei em Santana Lopes. Desde aí, não me recordo de nenhuma ocasião em que eu tenha votado com convicção, e tenho ido sempre votar. 35 anos depois, a ditadura fascista deu lugar a uma ditadura de mediocridade, de incompetência, de corrupção.

O 25 de Abril foi lindo, foi bonito. Foi um sonho. O problema é sempre o dia seguinte...

22 de abril de 2009

As tangas do Ricardo (80)

No Domingo passado, fui à missa com o Ricardo e com a Carolina.
A Carolina ia, novamente, ler uma das orações da oração dos fiéis, e ficou junto aos meninos da catequese.
Durante a comunhão, o Ricardo quis ir para a fila da comunhão.
Eu, que sou um santo e um pecador, expliquei-lhe que:
"Aquela fila é só para ir comungar."
Achei que ele me ia perguntar o que era "comungar", mas não perguntou. Ficou, no entanto, pensantivo. Passado uns instantes, pediu-me para repetir. Eu repeti:
"Aquela fila é só para ir comungar."
Diz ele:
"Ah, pensei que tinhas dito: Aquele filete é só para incomodar."