Políticos baratos ou Palhaços caros?
Há muito tempo que defendo que, para assegurar a qualidade da classe política, os políticos com responsabilidade efectiva (ministros, deputados, presidentes de câmara, etc) deviam ser pagos a preços de mercado, em função do respectivo custo de oportunidade.
Talvez António Carrapatoso aceite um dia ser Ministro do Trabalho ou da Educação. Ora, para o fazer, terá necessariamente aceitar uma redução brutal no seu rendimento. Logo, há um forte incentivo para que os maus políticos afastem os bons políticos, já que os primeiros não têm grandes oportunidades de trabalhar numa economia aberta, concorrencial e competitiva, pelo que o salário de ministro para eles é aceitável.
Curiosamente, o grande homem de estado que apresentou esta teoria num timing perfeitamente casual, pretende agora substituir um mau político. Será que pela primeira vez se enganou? Será que na opinião de Cavaco, vai haver um "bom político" a expulsar um "mau político"? Fica a questão.
Ora dizia eu que sempre achei razoável que quem gere um orçamento de milhões de euros dos contribuintes tenha uma remuneração minimamente comparável a quem gere milhões de euros de accionistas. Ontem, esta minha convicção foi abalada, ao ouvir a parte final da troca de atuardas entre o Ministro das Finanças e um deputado do PCP, sobre a doçura das amêndoas que um iria oferecer ao outro. Ou sobre se o pão de ló que o outro iria oferecer ao um era "daqueles húmidos, que são os que eu gosto mais". Fiquei a pensar se aqueles dois senhores serão políticos razoavelmente mal pagos ou se, pelo contrário, serão palhaços razoavelmente bem pagos.
Quanto aos deputados do Partido Comunista, a verdade é que sinto por eles a nostalgia que sinto pelos animais em vias de extinção. E ninguém os leva (muito) a sério.
Já um ministro das finanças que não se dá ao respeito, e que brinca e se diverte com este tipo de baboseiras, devia ir comer pão de ló pago por alguém que não o desgraçado do contribuinte. O orçamento de estado, pelos vistos, não é um tema difícil da governação, mas um pretexto para fazer apostas. Infelizmente, estes são os temas que não preocupam Jorge Sampaio, que tão activo tem andado no seu último fôlego.
18 de novembro de 2005
17 de novembro de 2005
Presidende Jurássico
Vou tentar escrever este post no maior respeito pelo preceito que diz que não é bonito gozar com os velhinhos. De resto, a lei prevê uma idade mínima para ser Presidente da República, mas não prevê uma idade máxima. Cada país tem o presidente que merece.
Quanto a Soares, não é segredo: ele é o seu próprio pior inimigo.
"Everyone is entitled to be stupid, but man, you're abusing that privilege."
Um candidato que diz que apresenta o seu boletim de saúde se os outros o fizerem, e que refere constantemente que está de boa saúde, faz-me lembrar o treinador Peseiro quando dizia que "ainda tinha espaço de manobra", "ainda tinha crédito". Quem discute se tem crédito ou espaço de manobra para trabalhar, é porque já não os tem. Quem pretende uma apresentação pública de boletins de saúde, do tipo "eu mostro o meu, se tu mostrares o teu", está gagá.
Admito que parte disto possa ser inveja, pois não sei se viverei até aos 80 anos, ainda por mais mantendo a próstata em bom funcionamento (ainda que com muito cheiro a queimado vindo dos fusíveis).
A campanha de Cavaco começou, como é sabido, muito antes da de Soares (só este último parece não ver isso). Cavaco tem seguido o conselho de Napoleão Bonaparte: "Never interrupt your enemy when he is making a mistake."
A campanha presidencial de Cavaco começou no dia em que disse, pela primeira vez, que não fazia comentários sobre as presidenciais. Mas o verdadeiro arranque verificou-se quando aproveitou as legislativas que Sampaio ofereceu ao PS, como todos perceberam, mas que também ofereceu a Cavaco.
Qual era o cenário mais vantajoso para Cavaco, o candidato a presidente? Evidentemente, ter um governo de esquerda, não de direita. Evidentemente, ter um governo em início de mandato, quando as medidas difíceis são aplicadas, e não um governo em fim de mandato, quando o apelo à eleição seguinte manda afrouxar o cinto. Um governo de esquerda e com maioria absoluta? Isso seria bom de mais para ser verdade.
O que é que se passou? Alguns artigos cirúrgicos publicados, apertando o espaço de manobra de Santana Lopes, ainda antes das legislativas. Depois, aquilo a que alguém chamou "Um silêncio ensurdecedor", quebrado apenas para manifestar a sua revolta sobre a inclusão das sua foto num cartaz do PSD, com o argumento de que isso prejudicava a sua carreira académica. Argumento tão fraquinho, que é de facto ofensivo. Ou haverá quem, na Universidade Católica, desconheça que ele foi Primeiro-Ministro durante 10 anos? E que foi militante e secretário-geral do PSD? Cá por mim, penso que Santana Lopes devia ter mantido o cartaz. Quem lá estava, estava por ser ex-dirigente do PSD, e independentemente da sua ambição futura.
A melhor razão, talvez a única razão, para votar Cavaco é evidentemente o medo, o pânico, de ter Soareossauro como Presidente.
Cá por mim, que sempre votei na direita, parece-me claro que não vou votar em Cavaco, e seguramente que não vou votar no Soareossauro.
A minha primeira escolha é Manuel João Vieira:
http://www.vieira2006.com/
Em alternativa, talvez acabe por votar no Candidato Alegre. Parece-me o mais merecedor do meu voto.
Dedico por fim aos vários candidatos presidenciais o seguinte trecho:
There's a passage I got memorized, seems appropriate for this situation: Ezekiel 25:17.
"The path of the righteous man is beset on all sides by the inequities of the selfish and the tyranny of evil men.
Blessed is he who, in the name of charity and good will, shepherds the weak through the valley of darkness, for he is truly his brother's keeper and the finder of lost children.
And I will strike down upon thee with great vengeance and furious anger those who attempt to poison and destroy my brothers.
And you will know my name is the Lord when I lay my vengeance upon you."
Vou tentar escrever este post no maior respeito pelo preceito que diz que não é bonito gozar com os velhinhos. De resto, a lei prevê uma idade mínima para ser Presidente da República, mas não prevê uma idade máxima. Cada país tem o presidente que merece.
Quanto a Soares, não é segredo: ele é o seu próprio pior inimigo.
"Everyone is entitled to be stupid, but man, you're abusing that privilege."
Um candidato que diz que apresenta o seu boletim de saúde se os outros o fizerem, e que refere constantemente que está de boa saúde, faz-me lembrar o treinador Peseiro quando dizia que "ainda tinha espaço de manobra", "ainda tinha crédito". Quem discute se tem crédito ou espaço de manobra para trabalhar, é porque já não os tem. Quem pretende uma apresentação pública de boletins de saúde, do tipo "eu mostro o meu, se tu mostrares o teu", está gagá.
Admito que parte disto possa ser inveja, pois não sei se viverei até aos 80 anos, ainda por mais mantendo a próstata em bom funcionamento (ainda que com muito cheiro a queimado vindo dos fusíveis).
A campanha de Cavaco começou, como é sabido, muito antes da de Soares (só este último parece não ver isso). Cavaco tem seguido o conselho de Napoleão Bonaparte: "Never interrupt your enemy when he is making a mistake."
A campanha presidencial de Cavaco começou no dia em que disse, pela primeira vez, que não fazia comentários sobre as presidenciais. Mas o verdadeiro arranque verificou-se quando aproveitou as legislativas que Sampaio ofereceu ao PS, como todos perceberam, mas que também ofereceu a Cavaco.
Qual era o cenário mais vantajoso para Cavaco, o candidato a presidente? Evidentemente, ter um governo de esquerda, não de direita. Evidentemente, ter um governo em início de mandato, quando as medidas difíceis são aplicadas, e não um governo em fim de mandato, quando o apelo à eleição seguinte manda afrouxar o cinto. Um governo de esquerda e com maioria absoluta? Isso seria bom de mais para ser verdade.
O que é que se passou? Alguns artigos cirúrgicos publicados, apertando o espaço de manobra de Santana Lopes, ainda antes das legislativas. Depois, aquilo a que alguém chamou "Um silêncio ensurdecedor", quebrado apenas para manifestar a sua revolta sobre a inclusão das sua foto num cartaz do PSD, com o argumento de que isso prejudicava a sua carreira académica. Argumento tão fraquinho, que é de facto ofensivo. Ou haverá quem, na Universidade Católica, desconheça que ele foi Primeiro-Ministro durante 10 anos? E que foi militante e secretário-geral do PSD? Cá por mim, penso que Santana Lopes devia ter mantido o cartaz. Quem lá estava, estava por ser ex-dirigente do PSD, e independentemente da sua ambição futura.
A melhor razão, talvez a única razão, para votar Cavaco é evidentemente o medo, o pânico, de ter Soareossauro como Presidente.
Cá por mim, que sempre votei na direita, parece-me claro que não vou votar em Cavaco, e seguramente que não vou votar no Soareossauro.
A minha primeira escolha é Manuel João Vieira:
http://www.vieira2006.com/
Em alternativa, talvez acabe por votar no Candidato Alegre. Parece-me o mais merecedor do meu voto.
Dedico por fim aos vários candidatos presidenciais o seguinte trecho:
There's a passage I got memorized, seems appropriate for this situation: Ezekiel 25:17.
"The path of the righteous man is beset on all sides by the inequities of the selfish and the tyranny of evil men.
Blessed is he who, in the name of charity and good will, shepherds the weak through the valley of darkness, for he is truly his brother's keeper and the finder of lost children.
And I will strike down upon thee with great vengeance and furious anger those who attempt to poison and destroy my brothers.
And you will know my name is the Lord when I lay my vengeance upon you."
18 de outubro de 2005
Há hoje poucos programas de televisão que considero melhores do que o "Fiel ou Infiel", da TVI (devo confessar que não consegui ainda ver mais de 60 segundos do "Quartel dos famosos freaks").
O Prós e Contras, por vezes, consegue sê-lo. Foi-o aquando do debate sobre os medicamentos genéricos, em que uma vez mais se viu como os interesses dos farmacêuticos são contrários aos da chamada sociedade civil (com grandes culpas para o estado, que se pôs (em bom rigor, que NOS pôs a nós) mais a jeito do que os Sodomitas. Mas divago...
Ontem, num debate sobre o Orçamento do Estado para 2006, lá estava um sindicalista com a famosa K7, a falar sobre direitos adquiridos e companhia.
Foi interessante ver como, quando César das Neves lhe disse que os sindicalistas tinham prestado um péssimo serviço, ao permitirem admissões em massa à Função Pública, durante o Guterrismo, contribuindo para a actual impossibilidade de ter aumentos na função pública, pelo exagerado quadro, o pobre coitado ficou sem saber o que dizer (acabando por se refugiar em acusações genéricas de "são sempre os trabalhadores quem paga a factura", etc).
É cada vez mais um discurso que faz lembrar Mourinho nos seus tempos do Porto: ninguém o percebia. A diferença é que Mourinho conseguia resultados, para grande tristeza do lagarto que (sobre)vive em mim.
Parece cada vez mais evidente que está na altura de um sindicalismo inteligente, esclarecido e responsável. De um sindicalismo que não queira apenas resolver os problemas deste ano agravando os problemas dos anos que vêm. Isto é, de um sindicalismo diferente do que temos hoje, baseado em chavões que leio nas paredes desde que sei ler: "Emprego sim, miséria não", "Aumentos sim, esmolas não" e outras pérolas do tipo.
Onde estava Wally, digo, Sampaio, aquando do negócio das SCUT? E onde está ele para evitar esses dois crimes, a OTA e o TGV? Porque razão se indigna esse nosso amigo com o crédito automóvel dos bancos para os particulares, e não com o crédito rodoviário do lobby do betão aos governos populistas?
Por vezes, mas só por vezes, fico na dúvida se não teremos por cá um excesso de OTArios... ou TGVários...
Volta, Afonso Henriques. Tudo está perdoado.
O Prós e Contras, por vezes, consegue sê-lo. Foi-o aquando do debate sobre os medicamentos genéricos, em que uma vez mais se viu como os interesses dos farmacêuticos são contrários aos da chamada sociedade civil (com grandes culpas para o estado, que se pôs (em bom rigor, que NOS pôs a nós) mais a jeito do que os Sodomitas. Mas divago...
Ontem, num debate sobre o Orçamento do Estado para 2006, lá estava um sindicalista com a famosa K7, a falar sobre direitos adquiridos e companhia.
Foi interessante ver como, quando César das Neves lhe disse que os sindicalistas tinham prestado um péssimo serviço, ao permitirem admissões em massa à Função Pública, durante o Guterrismo, contribuindo para a actual impossibilidade de ter aumentos na função pública, pelo exagerado quadro, o pobre coitado ficou sem saber o que dizer (acabando por se refugiar em acusações genéricas de "são sempre os trabalhadores quem paga a factura", etc).
É cada vez mais um discurso que faz lembrar Mourinho nos seus tempos do Porto: ninguém o percebia. A diferença é que Mourinho conseguia resultados, para grande tristeza do lagarto que (sobre)vive em mim.
Parece cada vez mais evidente que está na altura de um sindicalismo inteligente, esclarecido e responsável. De um sindicalismo que não queira apenas resolver os problemas deste ano agravando os problemas dos anos que vêm. Isto é, de um sindicalismo diferente do que temos hoje, baseado em chavões que leio nas paredes desde que sei ler: "Emprego sim, miséria não", "Aumentos sim, esmolas não" e outras pérolas do tipo.
Onde estava Wally, digo, Sampaio, aquando do negócio das SCUT? E onde está ele para evitar esses dois crimes, a OTA e o TGV? Porque razão se indigna esse nosso amigo com o crédito automóvel dos bancos para os particulares, e não com o crédito rodoviário do lobby do betão aos governos populistas?
Por vezes, mas só por vezes, fico na dúvida se não teremos por cá um excesso de OTArios... ou TGVários...
Volta, Afonso Henriques. Tudo está perdoado.
14 de outubro de 2005
Vida, Défice, Sampaio
11 de outubro de 2005
Genius illuminatus

Eis que um artigo que acabo de ler, de António Borges, me leva de novo à escrita.
Concretizou-se a minha principal projecção relativa às autárquicas: os comentadores que opinam sobre a maturidade política do povo em geral, mas com sinais de clara imaturidade aqui (Oeiras) e ali (Felgueiras) e acolá (Gondomar).
Cito António Borges: "(...) Não só estes candidatos venceram, serviram-se também das suas vitórias para atacarem a democracia portuguesa (...) Não se pode culpar só os eleitores(...)".
Não se pode culpar SÓ os eleitores, donde, pode-se/deve-se culpar (sobretudo?) os eleitores. Parece que a culpa anda à solta, mas felizmente é um mal que só acontece aos outros, conforme se deduz pelo artigo de opinião deste verdadeiro génio iluminado. Imagino que o discurso pudesse ser algo alterado, caso fosse o Dr. António Borges a ser alvo de uma infame e caluniosa acusação de uma qualquer índole.
Se a moda pega, a um ano das próximas eleições alguém lançará suspeitas de qualquer índole sobre Rui Rio, Moita Flores, Fernando Seara, Carmona Rodrigues, Alberto João Jardim e outros. Enquanto se espera que a Justiça actue, o PSD decide não os apoiar. Fará isto algum sentido? Não creio.
Acho que está na hora de alguém tirar a venda dos olhos à Justiça, e colocá-la na boca de certos comentadores. Como eu, talvez! :-)
Quero começar por referir que, na minha ignorância sobre leis, começaria por distinguir o caso do Dr. Avelino Ferreira Torres, pelo facto de este ter já sido condenado (terá recorrido da sentença, pelo que poderá ainda vir a ser ilibado por um tribunal de instância superior). Ainda assim, uma condenação por um tribunal parece-me mais "impressionante" do que uma acusação (ou o mero facto de se ter sido constituído arguido, situação em que nem sequer existe uma acusação formalizada).
Já no caso da Dra Fátima Felgueiras, para mim não está em causa o ter fugido durante dois anos a uma medida de coacção. Simplesmente, sou demasiado invejoso para respeitar alguém que passou dois anos no Rio de Janeiro, na boa vida, e de lá voltou com aquele glorioso bronzeado. Só de olhar, fico azul. Não há saco!
Assim, os meus comentários reportam-se a Oeiras e Gondomar. Em ambos os casos, temos dois arguidos que nem tão pouco estão acusados. E no caso de Gondomar o processo tão pouco terá a ver com a vida autárquica, mas com a sua estada à frente do Boavista.
Contraditoriamente, vários candidatos menos mediáticos foram apoiados pelo partido, não obstante sobre eles recairem acusações ou suspeições, nalguns casos de ilícitos que teriam sido praticados no âmbito das suas funções enquanto autarcas.
Parece-me pois que há um juizo à partida sobre quem é merecedor e quem não é merecedor, o que me parece totalmente inaceitável.
Cá por mim, no meu ingénuo entendimento sobre as leis, ser-se inocente até prova em contrário, ou ter-se a presunção da inocência, deveria significar que se mantêm intocados, ou perto disso, os direitos de cidadania. A alternativa é ter um sistema judicial que julgue em tempo útil, o que parece não ser o caso. Ninguém deve ser obrigado a esperar, de braços cruzados, por uma justiça que demora anos a produzir uma acusação. Ou não demora tanto tempo, ou não se obriga o cidadão a esperar de braços cruzados.
Democracia significa Governo do povo. Logo, por definição, quem diz que o povo se enganou não tem espírito democrático. Nalguns casos terá também mau perder.
9 de outubro de 2005
Sabedoria popular e falta de cultura democrática
Durante muitos anos, habituámo-nos a ouvir comentadores e políticos, comentando resultados de eleições, falar na sabedoria popular, e em coisas tão extraordinárias como que "o povo deu-me maioria para governar, mas não me deu maioria absoluta, para me indicar que deveria dialogar com as outras forças políticas". Ora eu lembro-me bem de ter votado nessas eleições, e afianço-vos que apenas se podia votar num partido, não sendo possível indicar coisas tão extraordinárias como a atrás mencionada.
Existe pois uma álgebra político-eleitoral que, apimentada com uma certa dose de semântica, determina que a soma de todas as cruzes colocadas nos boletins pode ser lida do modo que se quiser. É pois perfeitamente válido para muitos políticos e comentadores que existe uma espécie de "sabedoria colectiva", que por acaso corresponde à soma dos votos de cada indivíduo. A última vez que observei tal tipo de sabedoria colectiva foi naqueles bonequitos verdes com três olhos do Toy Story.
A visão é de um povo (somatório de pessoas individuais) que raramente tem dúvidas e que nunca se engana, apesar de cada uma das pessoas que dele fazem parte ter dúvidas sistemáticas e viver enganado (basta ver que o SLB tem 8 milhões de adeptos).
Agora, com os autarcas-bandidos, a coisa é muito engraçada. De repende, comentadores e políticos descobriram que afinal, o povo não é soberano, não sabe o que quer e também se engana.
Enquanto o "povo" votava de um modo perfeitamente previsível, mais alternância ou menos maioria, tinha razão. De repente, perdeu-a. Acontece.
Cá por mim, penso que seria mais sério fazer uma leitura despida de preconceitos. Talvez porque sou ingénuo, gostaria de pensar que se é de facto inocente até ser condenado por uma sentença transitada em julgado, ie, inapelável. Assim, bandidos são os que foram condenados, não os que estão acusados. Prefiro viver num país em que se é inocente até prova em contrário, e não num país em que se é culpado até prova em contrário. Acusar alguém não custa, e o que não custa tem pouco valor.
Mas dando de barato que os ditos senhores e senhora roubaram, pilharam, chantagearam, branquearam (ou azularam), tudo a coberto de um mandado popular...
Porque é que o mesmo povo que os elegeu se propõe agora apostar no(s) mesmo(s) cavalo(s)? Cá por mim, que por acaso não voto nem em Oeiras, nem em Gondomar, nem em Amarante e nem em Felgueiras, a coisa é explicável de uma forma simples: "dos males, o menor".
Entre um político "bandido" e um político incompetente, a maioria das pessoas prefere o "bandido", por ser um mal menor. Cá para mim, estas eleições mostrarão não a ignorância de um povo, mas o desespero de um povo.
Diz-se agora que votar nestes candidatos é um sinal do fracasso de 30 anos de democracia. Fracasso é só um em cada três eleitores votarem de facto. No momento do voto, o eleitor não indica se quer que A, B ou C tenha maiorias absolutas, ou se quer que D seja o maior partido da oposição. Pode no entanto votar em branco, nulo ou em qualquer outro candidato. Estas são as regras da democracia. Regras estas que pelos vistos incomodam comentadores e políticos, que de repente descobriram que o povo tem pouca cultura democrática. Falta de cultura democrática é não aceitar a vontade do povo, conforme comentadores e políticos agora querem fazer.
Uma citação atribuída a Sir Winston Churchill, para terminar:
It is a fine thing to be honest, but it is also very important to be right.
Existe pois uma álgebra político-eleitoral que, apimentada com uma certa dose de semântica, determina que a soma de todas as cruzes colocadas nos boletins pode ser lida do modo que se quiser. É pois perfeitamente válido para muitos políticos e comentadores que existe uma espécie de "sabedoria colectiva", que por acaso corresponde à soma dos votos de cada indivíduo. A última vez que observei tal tipo de sabedoria colectiva foi naqueles bonequitos verdes com três olhos do Toy Story.
A visão é de um povo (somatório de pessoas individuais) que raramente tem dúvidas e que nunca se engana, apesar de cada uma das pessoas que dele fazem parte ter dúvidas sistemáticas e viver enganado (basta ver que o SLB tem 8 milhões de adeptos).
Agora, com os autarcas-bandidos, a coisa é muito engraçada. De repende, comentadores e políticos descobriram que afinal, o povo não é soberano, não sabe o que quer e também se engana.
Enquanto o "povo" votava de um modo perfeitamente previsível, mais alternância ou menos maioria, tinha razão. De repente, perdeu-a. Acontece.
Cá por mim, penso que seria mais sério fazer uma leitura despida de preconceitos. Talvez porque sou ingénuo, gostaria de pensar que se é de facto inocente até ser condenado por uma sentença transitada em julgado, ie, inapelável. Assim, bandidos são os que foram condenados, não os que estão acusados. Prefiro viver num país em que se é inocente até prova em contrário, e não num país em que se é culpado até prova em contrário. Acusar alguém não custa, e o que não custa tem pouco valor.
Mas dando de barato que os ditos senhores e senhora roubaram, pilharam, chantagearam, branquearam (ou azularam), tudo a coberto de um mandado popular...
Porque é que o mesmo povo que os elegeu se propõe agora apostar no(s) mesmo(s) cavalo(s)? Cá por mim, que por acaso não voto nem em Oeiras, nem em Gondomar, nem em Amarante e nem em Felgueiras, a coisa é explicável de uma forma simples: "dos males, o menor".
Entre um político "bandido" e um político incompetente, a maioria das pessoas prefere o "bandido", por ser um mal menor. Cá para mim, estas eleições mostrarão não a ignorância de um povo, mas o desespero de um povo.
Diz-se agora que votar nestes candidatos é um sinal do fracasso de 30 anos de democracia. Fracasso é só um em cada três eleitores votarem de facto. No momento do voto, o eleitor não indica se quer que A, B ou C tenha maiorias absolutas, ou se quer que D seja o maior partido da oposição. Pode no entanto votar em branco, nulo ou em qualquer outro candidato. Estas são as regras da democracia. Regras estas que pelos vistos incomodam comentadores e políticos, que de repente descobriram que o povo tem pouca cultura democrática. Falta de cultura democrática é não aceitar a vontade do povo, conforme comentadores e políticos agora querem fazer.
Uma citação atribuída a Sir Winston Churchill, para terminar:
It is a fine thing to be honest, but it is also very important to be right.
5 de outubro de 2005
Abéculas, aves raras e outras espécies endémicas
Este site é dedicado a todas as abéculas, aves raras e espécies endémicas do nosso Portugal, sem discriminação de côr, raça, religião, convicções (políticas, religiosas, clubísticas ou artísticas). Há no entanto uma evidente discriminação em relação a quem não fale Português.
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