13 de novembro de 2007

As tangas do Ricardo (47)

Bom, esta não é propriamente uma tanga. É mais o último divertimento do Ricardo, "Fazer ligações" (sic). Há já quem diga que, este Natal, a melhor prenda que podem oferecer ao Ricardo é... um cordel!


12 de novembro de 2007

Bater nos filhos...

Pergunta filosófica que me assola o espírito, vezes sem conta: Em que circunstâncias é aceitável um pai (ou mãe) bater num filho?

A forma fácil, porventura algo cobarde, de travar a discussão é falar dos casos-limite. Queimar uma criança com pontas de cigarro é inaceitável. Claro. Uma palmadinha tipo "encosto de mão", não faz mal a ninguém. Claro. Claro, mas por isso mesmo, irrelevante. E o que fica no meio? E o dia-a-dia?

Sendo certo que bater num filho nunca é, em si mesmo, uma coisa boa, pode ou não justificar-se para evitar males menores? Que impacto é que as palmadas que dou ao Ricardo ou à Carolina podem ter, no curto, no médio e no longo prazo?

Muitas vezes sinto que falho, quando podia ter encontrado outra forma de dar a volta à situação. Há palmadas que representam uma capitulação de quem as dá, e já tenho dado por mim a fazer esta análise a posteriori. Como o sentimento de culpa é um sentimento altamente improdutivo, e inconsequente (como dizia (a) alguém), há que tentar analizar, racionalizar, aprender, melhorar.

O Ricardo e a Carolina são dois miúdos espectaculares. Não obstante, ambos são capazes de nos fazer perder a cabeça (mais um que outro, talvez, mas isso é irrelevante). Nessas circunstâncias, acho que dar uma palmada é perigoso (para ambos). Dito isto, sinto como imperiosa a necessidade de transmitir alguma disciplina e respeito, e não vejo que isso deva ou sequer possa ser adiado para uns anos mais tarde. É algo que tento levar em consideração.

Também sinto, quase sem excepção, que as intervenções exteriores são sempre calamitosas. Desastrosas. Contraproducentes. Se estou a repreender um dos miúdos e alguém intervém para dizer... "Deixe lá, eles são miúdos, deixe-os fazer o que eles querem", o ímpeto é o de reagir exercendo maior dureza, o que evidentemente também não tem qualquer sentido. É outro aspecto que tento levar em consideração, quando aplicável.

A nossa sociedade, ou pelo menos grande parte dela, tolera mal ou até muito mal uma palmada dada em público. Tolera bem melhor que um pai ofereça uma consola para entreter o chato do filho, raio do miúdo, que só pensa é em brincar.

Palmadas, em miúdo, apanhei qb. Das vezes em que "apanhei", só me lembro distintamente de uma - foi uma em que apanhei de forma... injusta. De facto, eu e o JT não tínhamos chamado "preta estúpida" à empregada. Não tínhamos mesmo, foi ela que inventou! O "juiz" que foi chamado a analizar o caso ponderou a probabilidade de estarmos a mentir para "salvar a pele" face à probabilidade de a (agora sim) preta estúpida estar a contar uma história totalmente fantasiada, e... decidiu mal. As outras, mais merecidas ou menos, mais necessárias ou menos, não me ficaram na memória.

Espero, por vezes com inquietude, que quando tiverem a minha idade o Ricardo e a Carolina olhem para trás e achem, como eu acho quando olho para trás, que não obstante as falhas que serão sempre muitas... a coisa correu bem.

10 de novembro de 2007

...and now for something completely different (espaço para o politcamente incorrecto)

Mandam as regras que nunca se vai para um motel com a legítima. Não só não tem piada, como pode causar sérias perturbações familiares...

Josefa não aguentou e teve de contar à sua amiga Lurdes:
- O teu marido foi visto num motel.
A Lurdes abriu a boca e arregalou os olhos. Ficou assim, uma estátua de espanto, durante um minuto, um minuto e meio. Depois pediu detalhes.
- Quando? Onde? Com quem?
- Ontem. No Discretu's.
- Com quem? Com quem?
- Isso eu não sei.
- Mas como era a gaja? Era alta? Magra? Loira? Pernas boas? Rabo grande?
Mamas arrebitadas...
- Não sei, Lu.
- O Carlos Alberto vai-mas pagar. Olaré, se me paga !!
Quando o Carlos Alberto chegou em casa, a Lurdes anunciou que iria deixá-lo.
E contou porquê.
- Mas que história é essa, Lurdes? Então não te lembras que quem era a mulher que estava comigo no motel eras tu, minha tonta !!!
- Claro que me lembro !! Maldita hora em que eu aceitei ir lá ao Discretu's dar uma rapidinha! Toda a cidade já sabe que tu estiveste lá com uma gaja !!! Ainda bem que não me identificaram...
- E agora?
- Agora ?? Agora vou ter que te deixar !! É óbvio? É o que todas as minhas amigas estão à espera que eu faça. Não sou mulher de ser enganada pelo marido e não reagir.
- Mas tu não foste enganada. Quem estava contigo era eu, o teu marido!
- Mas isso é pormenor e elas não sabem disso!
- Eu não acredito, Lurdes! Tu vais acabar o nosso casamento por causa disso?
Pelo que as outras mulheres pensam ???
- Vou!
Mais tarde, já quando a Lurdes estava a sair de casa, com as malas, o Carlos Alberto chamou-a. Estava sombrio, taciturno...
- Acabo de receber um telefonema - disse - Era o Mendes.
- O que ele queria?
- Fez mil rodeios, mas acabou por me contar. Disse que, como meu amigo, tinha que me contar.
- O quê?
- Que tu foste vista a sair do motel Discretu's ontem, com um homem, e que de certeza não foi coisa boa.
- O homem eras tu!
- Eu sei, mas eu não fui identificado.
- Mas não lhe disseste que eras tu?
- O quê? Para os meus amigos ficarem a pensar que vou a um motel com a minha própria mulher? Deus me livre de tal coisa!!
- E então?
- Desculpa, Lurdes, eu não queria, mas...
- Mas o quê???
- Vou ter que te dar uma carga de porrada...

5 de novembro de 2007

Referendar ou não referendar, eis a não-questão

A discussão sobre se o tratado constitucional europeu deve ou não ser referendado afigura-se-me como duplamente absurda, ie, ambos os lados têm uma posição algo absurda.

Parece-me evidente que Sócrates apenas fará referendo se sentir que não há qualquer risco de o perder. Nesse caso, avançará para o referendo auto-elogiando as suas qualidades de grande democrata.

Do lado do PS argumenta-se que o tratado é um texto complexo, pelo que os cidadãos teriam dificuldade em compreendê-lo, ainda que o tentassem ler. Argumenta-se que o parlamento é a sede própria para este tipo de decisão. Argumenta-se que o texto é diferente do anterior em aspectos fundamentais como - pasme-se - o hino e a bandeira (meros e inconsequentes símbolos).
Mas dizia eu que acho esta posição absurda, na medida em que o PS disse, durante a campanha legislativa, que levaria um tratado constitucional a referendo. Como o texto não se tornou mais complexo desde as legislativas, e como o PS não colocou diversos "mas" (tipo "referendamos, excepto se o texto for substancialmente alterado), torna-se evidente que está a dar o dito por não dito, isto é, que mentiu.

Eis pois a outra face do absurdo.
Sócrates ganhou eleições afirmando que não ia aumentar os impostos. Também aqui não disse "...excepto se a situação que encontrarmos...".
Sócrates ganhou eleições prometendo a criação de 150.000 postos de trabalho. Também aqui não disse que isso dependia do crescimento do PIB nacional ou europeu, ou das exportações, ou de qualquer outra coisa.
Agora, de repente, vejo alguma oposição muito satisfeita porque acham que Sócrates está encurralado, e que terá que fazer referendo ou admitir que mentiu. Porque é que desta vez isso lhe iria custar, pergunto?

"Doutor, preciso de ajuda"


Este é o nome de um programa da TVI, que enaltece a frivolidade e a superficialidade do ser humano. É um programa que, confesso, me complica com o sistema nervoso. Tanto quanto sei, ainda nunca apareceu uma mulher a dizer:
"Sabe, doutor, eu sou burra. Gostava que me ensinasse a derivar, sem usar o teorema de Cauchy." ou "Sabe, doutor, eu sou ignorante. Ensine-me por favor a história de Portugal do séc. XX."
O conceito é mais: "Sabe, doutor, eu sou feia. Gostava que me endireitasse os dentes (que o meu namorado entortou por acidente) e que me aumentasse as mamas (porque estou farto de que me olhem nos olhos quando falam comigo)."
Ora é bem sabido que não é por se ser feio que não se consegue, com esforço (e com o cartão partidário certo), chegar onde se quer - até a ministro.
Penso que seria pois mais adequado mudar o título do programa para algo mais honesto, e mais adequado ao público a quem se destina:
"Querido, mudei a tromba!"

31 de outubro de 2007

Culaboração?

"Spammers have created a Windows game which shows a woman in a state of undress when people correctly type in text shown in an accompanying image.
The scrambled text images come from sites which use them to stop computers automatically signing up for accounts that can be put to illegal use."

Genial: Um spammer quer fazer acessos automatizados, em massa, a um site que usa a técnica de ter imagens com caracteres de difícil reconhecimento automático. Como resolve ele a questão? Cria um jogo, no qual para despir a senhora temos que identificar... precisamente essas imagens.
Isto chama-se saber delegar; isto chama-se culaboração...

(lido aqui)

O futuro do (seu) Microsoft Office?

Mais baratos que o Office, mais online que o Office, serão estes os produtos que vamos usar no futuro, em vez do Office?

25 de outubro de 2007

JCS põe o dedo na Frida!

...ou pelo menos na ferida...
Ao rol que é grande e significativo, eu acrescentaria alguns dos outros disparates em curso:
- O ordenado do Presidente do Banco de Portugal, melhor, do chefe da sucursal portuguesa do Banco Central Europeu, esse homem sem partido que sabe fazer os fretes todos ao Governo, mas não sabe fiscalizar a actuação dos bancos nacionais...
- Os buracos crónicos de diversas empresas e serviços públicos...

Mas, claro, com a OTA e o TGV, temos a garantia de que o descalabro das despesas megalómanas continua. Diria mesmo que uma OTA está para o PIB português como uma televisão de Plasma está para o meu ordenado...

22 de outubro de 2007

Está alguém à escuta?

A minha primeira reacção às recentes declarações de Pinto Monteiro foi de espanto, isto porque o tinha em boa conta. De facto, as outras intervenções dele têm sido sensatas, equilibradas. As outras.

Após este espanto inicial, reconheci que talvez o que parece senilidade e paranóia seja apenas experiência. Afinal de contas, isso explicaria porque é que quando reclamamos junto de um operador de telemóveis por ter ruídos e interferências no nosso telefone eles inevitavelmente "actualizam o software" e nos devolvem o aparelho, rigorosamente na mesma. Pois agora torna-se evidente. O problema é das escutas, não dos aparelhos.

Também o ruído que oiço, que julgava ser proveniente do motor do carro, deverá ser fruto de uma escuta. Agora já sei; em vez de levar o carro à Renault, vou levá-lo à Polícia Judiciária.

Fiquei também a pensar se os ruídos no estômago que volta e meia oiço poderão ser resultado de uma maçã que tenha comido, na qual estivesse colocado um microfone. Neste último caso, no entanto, não me vou preocupar excessivamente. Ruídos mais recentes levam-me a crer que esta escuta estará de saída.

19 de outubro de 2007

As tangas do Ricardo (46)

Algures, em Lisboa, por volta das 23h...

Mãe: "Ricardo, vai-te deitar, que já é tarde e os meninos já estão todos a dormir."
Ricardo: "Não tenho nada que me deitar, que eu não sou pequenino. Sou grande."
Eu: "Olha, Ricardo, dá cá um beijinho."
Ricardo: "Porquê, pai? Vais trabalhar?"
Eu: "Não, Ricardo, tu é que te vais deitar."
Ricardo: "Pai, a tua barba [barba de fim de dia] pica."
Eu: Olha, Ricardo, se tu és grande, porque é que não tens barba?"
Ricardo: "Eu sou grande, mas não sou o Pai Natal!"